Jovem argentina mantida em regime de exploração sexual por dois meses no RS
Jovem argentina explorada sexualmente por dois meses no RS

Uma jovem argentina foi mantida durante pelo menos dois meses sob uma rotina sexual exaustiva em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, sem receber pelos serviços prestados e sob severa e constante vigilância. A vítima relatou à Polícia e a procuradores da República que foi aliciada em sua província de origem, Missiones, na Argentina, e chegou ao Brasil atraída por falsas promessas de emprego.

Detalhes da denúncia do MPF

Nesta quinta-feira, 9, o Ministério Público Federal (MPF) divulgou detalhes da denúncia levada à Justiça contra três suspeitos de suposta prática de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual, manutenção de casa de prostituição, rufianismo (cafetinagem) e associação criminosa. A 2ª Vara Federal de Santa Maria acatou a denúncia e deu início à ação penal contra os acusados. O caso tramita em sigilo para preservação da intimidade das vítimas, conforme a Lei 13.344/2016, de combate ao tráfico de pessoas.

Como a vítima foi aliciada

A investigação mostra que, entre o final de abril e início de maio, ainda residindo na Argentina, a vítima foi procurada por uma brasileira que lhe ofereceu uma vaga em um comércio no Brasil, com remuneração semanal. Em dificuldades financeiras e com um filho pequeno, a moça aceitou a proposta. Segundo a Procuradoria, o grupo bancou as despesas de deslocamento da vítima até a fronteira. Depois, ela fez uma travessia fluvial clandestina até o Sul do País. Quando chegou a Santa Maria, descobriu que teria de trabalhar em uma casa de prostituição.

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Condições de exploração

A investigação aponta que, nos dois meses em que foi submetida a um regime de exploração sexual, ela ficou sem receber pelos atendimentos – o dinheiro ficava de posse do grupo que a explorava. Para impedir uma eventual fuga, os captores impuseram um sistema de endividamento, cobrando gastos com hospedagem, alimentação e higiene. Multas em sequência eram aplicadas sob pretextos diversos. A vítima foi obrigada a usar cocaína para dar conta dos atendimentos em larga escala no período noturno e também era obrigada a custear despesas com o consumo de drogas. O MPF detalha que a vítima não tinha liberdade de locomoção, pois estava submetida a uma rigorosa vigilância.

Ação judicial

A denúncia foi apresentada à Justiça pela Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC) do MPF, no Rio Grande do Sul. A Justiça mandou citar os três acusados para se defenderem. O caso segue em segredo de justiça.

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