O jornalista e radialista Chico Melo, de 54 anos, foi vítima de um assalto em sua residência na madrugada desta quarta-feira (22) em Cruzeiro do Sul, interior do Acre. Quatro criminosos invadiram a casa e o agrediram, deixando hematomas pelo corpo e um corte na cabeça. Em entrevista à Rede Amazônica Acre após depoimento na delegacia, o jornalista relatou os momentos de tensão e revelou que já havia recebido ameaças antes do ataque.
Detalhes do ataque
"A primeira agressão que sofri foi um soco e quase desmaiei. Depois do soco, fui colocado próximo à cama com um indivíduo que vestia preto e coturno. Botou a arma na minha cabeça e dizia que eu sabia porque estava ali", relembrou Chico Melo. A quadrilha entrou na residência por volta das 2h e manteve a vítima sob agressões por mais de meia hora. Os criminosos exigiam dinheiro e documentos. "Entreguei meu telefone celular, pediram que eu desbloqueasse e desbloqueei. Recebi informações de algumas ameaças, de prisão e agressão. No dia de hoje isso se concretizou", disse.
Investigação policial
A Polícia Militar apreendeu um telefone celular e uma faca deixados pelos criminosos durante a fuga. O delegado Jadson Santos confirmou que o caso é tratado como roubo. Ninguém foi preso até a noite desta quarta-feira. "Foram apreendidos alguns objetos encontrados no local pela polícia. Já instauramos inquérito para apurar", destacou o delegado.
Repercussão e apoio
O ataque ao radialista gerou revolta e manifestações de apoio na manhã desta quarta. A prefeitura do município, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Acre (OAB/AC), políticos e autoridades publicaram notas de repúdio. O governo informou que a Polícia Civil conduzirá as investigações pautada pelos princípios da legalidade, da imparcialidade e da impessoalidade, reafirmando seu compromisso permanente com a proteção da vida, a garantia da liberdade de imprensa, a segurança pública e o enfrentamento firme à criminalidade.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram nota de repúdio ao ataque sofrido pelo jornalista. Segundo a nota, embora ainda não seja possível afirmar que o ataque tenha relação com a atividade profissional de Chico Melo, essa hipótese não pode ser ignorada e deve ser apurada com rigor. O sindicato e a Fenaj cobraram uma investigação rápida, transparente e independente, capaz de esclarecer a autoria, a motivação e todas as circunstâncias do crime, garantindo que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados. A nota afirma ainda que atacar um profissional da comunicação é uma violência inadmissível e que qualquer tentativa de intimidar jornalistas representa uma ameaça à liberdade de imprensa, ao direito à informação e à própria democracia.
A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Acre (OAB-AC) destacou a necessidade de se apurar se o caso constitui possível crime em decorrência da atividade profissional de Chico Melo, afirmando que ataques a profissionais de imprensa são ataques diretos à liberdade de expressão e ao direito à informação livre e independente. A OAB-AC informou também que vai pedir o envolvimento do Ministério Público Estadual e do Ministério da Justiça e Segurança Pública na investigação dos fatos, com identificação e responsabilização de todos os envolvidos e suas motivações.
A Prefeitura de Cruzeiro do Sul também se manifestou em um comunicado. O prefeito Zequinha Lima declarou que a liberdade de imprensa é um dos pilares da democracia e deve ser respeitada e protegida. A presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Dulce Benício, disse que qualquer tentativa de intimidação, constrangimento ou silenciamento de jornalistas representa uma afronta às garantias constitucionais e aos valores que sustentam as instituições públicas.



