Os corpos de Pablo Rikman Fernandes Oliveira, de 27 anos, e Diogo Henrique Fernandes Rosa, de 24, foram sepultados na manhã desta sexta-feira (10) no Cemitério da Consolação, em Sorocaba (SP). Os irmãos morreram após serem baleados por policiais militares durante uma abordagem que terminou em perseguição e confronto na madrugada de quinta-feira (9).
Perseguição e confronto
Segundo o boletim de ocorrência, os irmãos estavam em um carro na Avenida Dom Aguirre quando teriam desrespeitado uma ordem de parada de uma viatura da Polícia Militar. Na versão da PM, Pablo fez manobras perigosas e a fuga terminou quando ele perdeu o controle da direção e colidiu o veículo. Após a batida, os irmãos permaneceram no carro e se recusaram a se render.
Uma jovem de 20 anos, prima de Pablo e Diogo, também estava no veículo. Segundo os policiais, ela saiu do carro após a batida e, nesse momento, os irmãos fizeram ameaças com armas de fogo em direção à viatura. Os policiais então reagiram e atiraram contra o carro. Pablo não resistiu e morreu no local. Diogo foi resgatado com vida, mas morreu pouco depois de dar entrada no Centro Hospitalar de Sorocaba (CHS).
Família questiona versão da PM
A família contesta a versão policial e afirma que os jovens não estavam armados. A prima, que estava no carro, também questiona os depoimentos oficiais. Inicialmente, segundo o BO, ela teria dito que os irmãos costumavam andar armados porque o pai foi vítima de homicídio. No entanto, em depoimento formal na delegacia, ela negou essa história e afirmou que eles não tiveram tempo de sair do carro e não estavam armados.
Em entrevista à TV TEM, a jovem reforçou a defesa: "A gente escutou só o barulhinho da sirene, tanto que eu achei que eles estavam querendo ultrapassar. Aí quando escutamos que era com a gente mesmo, para parar, a gente parou no sinal. Mas como eles começaram a gritar 'desce do carro', a gente acabou que acelerou novamente."
Ela também relatou o momento dos tiros: "Assim que batemos no poste e com o muro, eu peguei e abri a porta. Esperava que eles fossem sair também, mas abri a porta e me joguei, porque estava meio machucada e atordoada. Nisso os disparos já estavam acontecendo e achei que iam parar. Gritei, pedi, falei 'parem, por favor! eles não estão com nada', mas não ouviram. Só pediram para me afastar no momento, para eu não ver o que estava acontecendo. Não tiveram chance de nada."
Investigação em andamento
O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial e porte ilegal de arma de fogo no Plantão Policial da cidade. As investigações prosseguem pela Deic de Sorocaba, com acompanhamento da Polícia Militar. A perícia da Polícia Civil deve esclarecer se houve troca de tiros durante a perseguição. O g1 questionou a PM sobre a abertura de investigação interna, mas não obteve retorno até a última atualização.



