Pacientes em tratamento contra o câncer no Hospital Geral de Palmas (HGP) denunciam interrupções nos atendimentos e dificuldades para obter medicamentos na rede pública de saúde do Tocantins. Os casos ocorrem durante a transição dos serviços oncológicos da Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do HGP para o Hospital de Amor.
Relatos de pacientes
José Neto Pereira Rodrigues, morador de Natividade, iniciou o tratamento contra o câncer em Goiás e, após mudar-se para o Tocantins, passou a ser atendido no HGP. Ele afirma que o tratamento foi interrompido devido à falta do medicamento capecitabina. "O ciclo é de 21 em 21 dias. Eu tomo 14 dias, passo sete em repouso sem tomar e depois continuo. Mas agora parou e não posso parar", disse.
Maria de Lourdes Barreira de Oliveira, de 75 anos, faz tratamento contra câncer de intestino há sete meses. Familiares relatam que as sessões de quimioterapia também foram interrompidas pela falta do medicamento. "Ficamos sem a medicação. Como fica o psicológico, a saúde? Qual é a resposta?", questionou Otávia, nora da paciente. A compra do remédio de forma particular custou mais de R$ 2,5 mil.
Transição para o Hospital de Amor
No fim de abril, o Governo do Tocantins assinou contrato com o Hospital de Amor para assumir parte dos atendimentos oncológicos no estado. O acordo prevê investimento estimado em R$ 67 milhões e prazo de até 120 dias para conclusão da transição. Durante esse período, pacientes em tratamento continuam vinculados ao HGP, enquanto novos atendimentos passam gradualmente para a nova estrutura.
A Defensoria Pública do Estado do Tocantins acompanha o processo e destaca que a mudança não pode comprometer a continuidade da assistência aos pacientes.
Resposta da Secretaria de Saúde
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) afirmou que a Unacon mantém suas atividades regularmente, com consultas, exames, tratamento quimioterápico e acompanhamento multidisciplinar, sem interrupção da assistência. Sobre a capecitabina, a SES informou que realiza monitoramento permanente dos estoques e reposição contínua, mas que a demanda recente ficou acima do volume inicialmente previsto, tornando necessária uma nova aquisição, já solicitada.
Outros problemas na saúde estadual
Além dos problemas oncológicos, pacientes relatam demora para procedimentos em outras áreas. O cadeirante Gedeon Pereira Soares, de Porto Nacional, aguarda há mais de dois meses por uma cirurgia de reparação de uretra. "Estou pegando infecções urinárias e com medo de agravar ainda mais a minha situação", relatou. A SES informou que Gedeon está regulado na rede estadual e que o processo segue os critérios do SUS.



