Impressão digital leva à prisão de suspeitos por bomba em chocolate para filha de presidente do Ceará
Impressão digital leva à prisão por bomba em chocolate no Ceará

A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) identificou uma impressão digital de Kaio Fellype Rodrigues Isackson da Costa na embalagem de um bombom enviado à filha do presidente do Ceará Sporting Club, João Paulo Silva. O artefato explosivo improvisado estava em uma caixa de chocolate entregue em 25 de junho na escola de teatro da adolescente, acompanhado de um buquê de flores e um bilhete com a mensagem "FORA JP SAFADO".

Prisões e investigação

Kaio Fellype e Sérgio Tibúrcio dos Santos, integrantes de uma torcida organizada do Ceará, foram presos em flagrante no dia 30 de junho por associação criminosa. Eles também são investigados por explosão e adulteração de sinal identificador de veículo. Um terceiro suspeito foi identificado, mas ainda não foi localizado. Durante audiência de custódia em 1º de julho, a Justiça converteu a prisão em flagrante para preventiva de ambos, com base no laudo papiloscópico da Pefoce.

Decisão judicial

A juíza responsável destacou que "conforme laudo papiloscópico elaborado pela Pefoce, foi identificado fragmento de impressão digital pertencente ao custodiado Kaio Fellype Rodrigues Isackson da Costa na embalagem de um dos bombons que integravam a encomenda, circunstância que, nesta fase processual, reforça os indícios de sua participação na preparação do artefato". A magistrada também considerou que o envio do artefato para uma escola em funcionamento colocou em risco estudantes, professores e funcionários, evidenciando planejamento prévio e organização coordenada. O uso de motocicletas com placas encobertas indicou tentativa de dificultar a identificação. A prisão preventiva foi justificada para garantia da ordem pública, proteção das vítimas e preservação da instrução criminal. Sérgio Tibúrcio já havia sido preso em flagrante em 2025 por adulteração de veículo, ocasião em que recebeu medidas cautelares. Também foi autorizada a coleta de DNA dos investigados, a pedido do Ministério Público.

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Contexto do crime

De acordo com a Polícia Civil, o crime foi praticado por membros de torcida organizada, com divisão de tarefas e uso de motocicletas com placas adulteradas. "A ação criminosa está inserida em um contexto de violência protagonizada por torcidas organizadas no estado", afirmou a corporação. Durante as buscas, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) prendeu um terceiro homem com aproximadamente 9 kg de skunk e 1 kg de cocaína, além de apetrechos para tráfico e vestimentas da torcida. Os suspeitos do atentado foram autuados por ameaça, explosão, associação criminosa e adulteração de sinal identificador de veículo; o terceiro, por tráfico de drogas. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos.

Reação do presidente

João Paulo Silva relatou nas redes sociais que a filha teve um ataque de pânico ao receber o "presente". "Hoje aconteceu algo que nunca imaginei que pudesse acontecer. Até onde a política suja foi capaz de chegar. Minha filha recebeu no curso de teatro um ‘presente’ com uma bomba e uma carta com ataques a mim. Ela teve um ataque de pânico", lamentou. O episódio ocorreu após protestos de parte da torcida em frente à sede do clube, no Bairro Porangabuçu, devido à crise do time. A gestão de João Paulo enfrenta críticas de torcedores que esperam o acesso à Série A em 2027. "Aguento as porradas, o meu cargo exige isso. Mas mexeram com inocentes. E isso tudo somente pelo poder. Essa covardia não pode ser considerada normal. Já estou tomando as devidas providências legais para proteger a minha família e o Ceará Sporting Club", complementou.

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