Idosa resgatada após 50 anos em trabalho escravo doméstico em Fortaleza
Idosa resgatada após 50 anos em trabalho escravo em Fortaleza

Uma mulher de 62 anos foi resgatada de condições análogas à escravidão em Fortaleza, após trabalhar por mais de 50 anos como empregada doméstica sem remuneração regular ou direitos trabalhistas. Ela servia à mesma família desde os 7 anos de idade, sem acesso à educação ou autonomia financeira.

Operação de resgate e créditos devidos

A operação foi realizada por auditores-fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em conjunto com outros órgãos, em um condomínio de luxo na região metropolitana de Fortaleza. Durante a fiscalização, foram apurados créditos trabalhistas devidos superiores a R$ 1,5 milhão, referentes a décadas de trabalho não remunerado.

Termo de Ajuste de Conduta (TAC)

Um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi firmado para garantir os direitos básicos da trabalhadora, incluindo o pagamento dos valores devidos e a compensação financeira. A idosa agora terá acesso a benefícios como FGTS, férias e 13º salário, além de indenização por danos morais.

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Condições de trabalho e violações

A trabalhadora vivia em situação de servidão, sem horários definidos, sem descanso semanal e sem qualquer vínculo formal de emprego. Ela não tinha liberdade para sair do local de trabalho nem para se comunicar com familiares. A família empregadora exigia que ela trabalhasse todos os dias, sem folgas, e não lhe pagava salário fixo, apenas fornecia alimentação e moradia precárias.

Direitos garantidos e próximos passos

Com o resgate, a mulher foi incluída no Programa de Erradicação do Trabalho Escravo e receberá assistência social e psicológica. O Ministério Público do Trabalho (MPT) acompanha o caso para assegurar o cumprimento do TAC e a reparação integral dos danos. A família empregadora poderá responder criminalmente pelo crime de redução à condição análoga à de escravo, previsto no artigo 149 do Código Penal.

Contexto do trabalho escravo doméstico no Brasil

O caso reforça a persistência do trabalho análogo à escravidão no serviço doméstico no Brasil, que atinge principalmente mulheres negras e de baixa renda. Segundo dados do MTE, centenas de trabalhadores domésticos são resgatados anualmente em condições degradantes, muitos deles submetidos a jornadas exaustivas e sem remuneração.

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