Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros aponta que a incorporação do teste genômico no tratamento do câncer de mama pode gerar economia significativa para o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a pesquisa, o uso do exame Oncotype DX, que analisa a expressão de 21 genes, pode evitar quimioterapias desnecessárias em até 40% das pacientes com tumores iniciais, resultando em uma redução de custos de até R$ 12 mil por paciente.
Metodologia e resultados
O estudo, publicado no periódico Value in Health Regional Issues, analisou dados de 1.200 pacientes com câncer de mama em estágio inicial, com receptores hormonais positivos e HER2 negativo. Os pesquisadores compararam os custos do tratamento convencional, que inclui quimioterapia para todas as pacientes, com a estratégia baseada no teste genômico, que indica quais pacientes realmente se beneficiariam da quimioterapia.
De acordo com o Dr. Carlos Eduardo Paiva, oncologista e um dos autores do estudo, "o teste genômico permite uma abordagem mais personalizada, evitando que pacientes com baixo risco de recorrência sejam submetidas a tratamentos agressivos e caros, que muitas vezes trazem efeitos colaterais severos". A pesquisa estima que, se implementado no SUS, o teste poderia economizar cerca de R$ 50 milhões por ano, considerando o número de novos casos da doença no Brasil.
Impacto na saúde pública
A economia gerada pelo teste não se limita apenas aos custos diretos da quimioterapia. Também são considerados os gastos com internações, medicamentos de suporte e tratamento de efeitos adversos. Além disso, a redução da exposição a tratamentos desnecessários melhora a qualidade de vida das pacientes, que evitam os efeitos colaterais da quimioterapia, como náuseas, fadiga e risco de infecções.
O estudo reforça a importância da incorporação de tecnologias inovadoras no SUS, alinhando-se às diretrizes de medicina de precisão. Atualmente, o teste genômico não é coberto pelo sistema público, mas a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já o incluiu na cobertura obrigatória dos planos de saúde.
Próximos passos
Os pesquisadores esperam que os resultados do estudo sirvam de subsídio para a tomada de decisão do Ministério da Saúde e da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). "Nosso objetivo é fornecer evidências robustas de custo-efetividade para que o teste seja incorporado ao SUS, beneficiando milhares de mulheres brasileiras", afirma o Dr. Paiva.
O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil, com cerca de 66 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A implementação do teste genômico poderia representar um avanço significativo no tratamento, combinando economia de recursos públicos com melhores desfechos clínicos.



