Um homem de 36 anos, já condenado por estupro em 2005, implorou ao juiz durante audiência de custódia para não permanecer preso após invadir o apartamento de uma nutricionista e tentar estuprá-la em Barueri, na Grande São Paulo. O pedido de Wellington de Oliveira Santos foi negado, e a prisão em flagrante foi convertida em preventiva.
O caso ocorreu na manhã de 23 de maio. A vítima, Jéssica Santos, de 35 anos, relatou ao g1 que lutou por aproximadamente 13 minutos contra o invasor dentro de seu apartamento, em um condomínio na cidade. Ela conseguiu impedir o estupro graças a técnicas de defesa pessoal aprendidas em aulas de muay thai, boxe, jiu-jítsu e defesa pessoal.
A audiência de custódia
Durante a audiência, Wellington alegou estar embriagado e disse que cuida do pai de 74 anos e do filho de 11 anos. Ele pediu um "voto de confiança" à Justiça. "Eu imploro, não sou esse monstro", afirmou. O juiz, no entanto, manteve a prisão, destacando a necessidade de proteger a vítima. "Ouvi atentamente o que o senhor falou, mas especialmente para a preservação da vítima, eu vou manter o senhor preso", declarou o magistrado.
Wellington tentou reverter a decisão com apelos repetidos, mas o juiz solicitou que ele fosse retirado da sala. O acusado também afirmou ter antecedentes por roubo e disse que "simplesmente não fez nada".
A luta de 13 minutos
Câmeras de segurança mostram que o suspeito entrou no condomínio às 8h22, aproveitando a saída de um morador, e passou pela recepção sem ser abordado. Ele chegou ao 18º andar, onde Jéssica morava. A porta do apartamento estava encostada, pois o namorado da vítima havia saído e deixado assim para não acordá-la.
Jéssica estava dormindo quando ouviu alguém entrar. Ao perceber que não era seu namorado, fingiu estar dormindo. O homem colocou a mão na boca dela, mandando calar a boca e insinuando estar armado. "Ele veio para cima de mim, e eu levantei da cama. Comecei a gritar", contou.
A luta corporal durou 13 minutos. Wellington desferiu socos, puxou cabelos, tentou sufocar a vítima e a derrubou da escada. Jéssica conseguiu imobilizá-lo com um mata-leão e, em determinado momento, fingiu desistir para ganhar fôlego. Quando ele levantou, ela o chutou com força, jogando-o contra a parede, e conseguiu fugir.
Fuga e socorro
Após escapar, Jéssica correu pelo corredor batendo nas portas dos vizinhos. Uma mulher abriu a porta e a ajudou. Outros moradores contiveram Wellington até a chegada da Guarda Civil Municipal. A vítima foi encaminhada a um pronto-socorro com lesões pelo corpo.
O caso foi registrado como tentativa de estupro, lesão corporal e violação de domicílio na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barueri. A polícia apreendeu o celular do agressor para investigar se ele monitorava a rotina da nutricionista.
Antecedentes criminais
Wellington já tinha condenação por estupro em 2005 e, em 2017, foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão por estupro, roubo e outros crimes. Ele estava em livramento condicional desde julho de 2021. Em 2025, também respondeu por violência doméstica, com medidas protetivas concedidas.
Responsabilização do condomínio
A advogada da vítima, Silvana Campos, afirma que o condomínio falhou na segurança, permitindo a entrada do suspeito sem abordagem. Ela estuda medidas judiciais para buscar reparação. "Tudo teria sido evitado se houvesse segurança eficiente", disse.
Jéssica, que passou a fazer acompanhamento psicológico e não consegue dormir sem medicação, deixou o apartamento. "Briguei para sobreviver", afirmou.



