Greve dos rodoviários no Rio: segundo dia com mais ônibus, mas frota ainda insuficiente
Greve dos rodoviários: segundo dia com mais ônibus

A greve dos rodoviários no Rio de Janeiro entrou no segundo dia nesta terça-feira (30) com um aumento no número de ônibus circulando, mas ainda abaixo do mínimo exigido pela Justiça. Segundo o Rio Ônibus, sindicato patronal, 1.400 coletivos deixaram as garagens, contra 900 na segunda-feira (29). No entanto, a determinação judicial estabelece que 50% da frota, equivalente a 1.800 veículos, deve operar.

Audiência de conciliação no TRT propõe trégua

Após audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) nesta terça, o TRT e o Ministério Público sugeriram uma trégua na greve até a próxima segunda-feira (6), com uma nova reunião para avaliar uma proposta do sindicato patronal. Os rodoviários realizaram uma nova assembleia no início da tarde para discutir os encaminhamentos.

Durante a audiência, o presidente do Rio Ônibus ofereceu um reajuste de 4,39%, alegando dificuldades financeiras e a perda de subsídios que impedem um aumento maior. O Sindicato dos Trabalhadores propôs dividir o reajuste em duas parcelas: 8% imediatamente e 8,3% em novembro deste ano. A proposta foi recusada pelo sindicato patronal, que pediu a trégua sem oferecer nenhuma contrapartida aos trabalhadores.

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Reivindicações da categoria

Os rodoviários pedem reajuste salarial de 17%, piso salarial de R$ 5 mil para motoristas de BRT e R$ 4 mil para os demais motoristas, vale alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde, mudanças na escala de trabalho e jornada de 7h30. O sindicato também reivindica o fim do contrato temporário e contratação pela CLT para profissionais do BRT, manutenção do passe livre para a categoria, indenização dos 30 minutos do intervalo de almoço e plano odontológico.

Segundo o sindicato, a proposta patronal aplicada aos valores atuais resultaria em um reajuste de apenas R$ 150,15 para motoristas de ônibus convencional (salário passaria de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31) e de R$ 180,17 para motoristas de articulado (de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35). O auxílio alimentação subiria de R$ 660 para R$ 689, um acréscimo de R$ 29.

Impactos no transporte público

Na segunda-feira, a greve causou grandes transtornos, com passageiros relatando espera de até duas horas para embarcar e filas em terminais como o Gentileza. Piquetes danificaram 50 ônibus, segundo o Rio Ônibus. Nesta terça, não houve registro de vandalismo.

No BRT, a MOBI-Rio registrou 361 articulados nas ruas, um aumento de 26% na frota em relação ao dia anterior, mas ainda insuficiente. No Jardim Oceânico, as plataformas estavam vazias por volta das 6h30. Trens, barcas e metrô operam normalmente.

O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) criticou o descumprimento da determinação judicial. “A gente tem visto que 50% já era um efetivo muito baixo e sequer foi cumprido. Não chegamos a 30% de operação por parte dos ônibus comuns, e o nosso pleito é que a gente tenha pelo menos 80% do serviço garantido”, afirmou ao Bom Dia Rio. “O funcionamento do BRT em cerca de 70% permite que a gente tenha uma vazão maior dessas pessoas, mas o sistema de alimentação, feito pelos ônibus comuns da cidade, infelizmente, mais uma vez, não chegou sequer a um terço do que estava previsto.”

Cavaliere ressaltou que a negociação é entre os sindicatos e que o papel da prefeitura tem sido pedir à Justiça que o mínimo de funcionamento seja garantido para minimizar os impactos à população.

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