A greve dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) nesta terça-feira, 4, provocou transtornos para milhões de usuários na região metropolitana de São Paulo. A paralisação, que começou na madrugada, afetou parcialmente a operação das linhas 7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, com estações fechadas e intervalos maiores entre os trens.
Justiça determina multa e contingente mínimo
Em meio à paralisação, a Justiça do Trabalho determinou que a CPTM mantenha um contingente mínimo de funcionários para garantir a operação de pelo menos 80% da frota nos horários de pico. A decisão, proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, também estabeleceu multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento. A medida atende a um pedido do governo do estado, que classificou a greve como abusiva.
Segundo o Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, a paralisação foi motivada por atrasos no pagamento de benefícios e pela falta de reajuste salarial. A categoria reivindica reposição da inflação de 3,6% em 12 meses, além de melhores condições de trabalho. A CPTM, por sua vez, afirma que está negociando e que a greve é prematura.
Linhas afetadas e orientações aos usuários
As linhas mais afetadas foram a 7-Rubi (Luz-Francisco Morato) e a 10-Turquesa (Luz-Rio Grande da Serra), que operaram com intervalos de até 30 minutos. As linhas 11-Coral (Luz-Estudantes) e 12-Safira (Brás-Calmon Viana) tiveram operação parcial, com algumas estações fechadas. A linha 13-Jade (Engenheiro Goulart-Aeroporto de Guarulhos) operou com restrições, mas o serviço de ônibus da EMTU foi reforçado para atender os passageiros.
A CPTM recomendou que os usuários busquem alternativas como o Metrô, que opera normalmente, e os corredores de ônibus. A companhia também informou que está disponibilizando informações em tempo real em seus canais oficiais. A expectativa é que a greve termine ainda nesta terça, após nova rodada de negociação entre o sindicato e a administração.
Impacto na rotina dos passageiros
A paralisação afetou diretamente milhões de pessoas que dependem do trem para ir ao trabalho ou à escola. Muitas estações registraram filas e aglomerações, com passageiros relatando atrasos de até duas horas. A Defesa Civil do estado emitiu alerta para o aumento do tempo de deslocamento e orientou a população a planejar rotas alternativas.
Especialistas em mobilidade urbana apontam que a greve evidencia a fragilidade do sistema de transporte sobre trilhos, que opera no limite da capacidade. Segundo dados da CPTM, o sistema transporta cerca de 2,8 milhões de passageiros por dia útil. A paralisação de hoje pode gerar um prejuízo estimado em R$ 10 milhões para a economia da região, considerando horas de trabalho perdidas e atrasos na cadeia produtiva.
Negociações e próximos passos
O sindicato dos ferroviários afirmou que a greve pode ser suspensa caso a CPTM apresente uma proposta concreta de reajuste e pagamento dos benefícios atrasados. A empresa, por sua vez, disse que está aberta ao diálogo, mas que precisa respeitar o limite orçamentário imposto pelo governo estadual. A Secretaria de Transportes Metropolitanos informou que acompanha as negociações e que busca uma solução rápida para minimizar o impacto à população.
A Justiça também determinou que a CPTM garanta a segurança dos usuários durante a paralisação, com reforço na vigilância das estações e trens. A multa por descumprimento da decisão será revertida ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Até o fechamento desta edição, a CPTM não havia se manifestado sobre o cumprimento da ordem judicial.



