Mais de 2,3 mil ocorrências de golpes financeiros foram registradas pela Polícia Civil em Araçatuba (SP) entre janeiro e maio de 2026, segundo levantamento do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-10). O número reflete uma tendência estadual: pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), publicada em janeiro de 2026, aponta que nove em cada dez paulistas (cerca de 30 milhões de pessoas) já sofreram ao menos uma tentativa de golpe digital.
Casos recentes e perdas financeiras
Em São José do Rio Preto, uma aposentada de 62 anos perdeu aproximadamente R$ 100 mil após ser enganada por golpistas que se passaram por sua advogada e por um promotor de Justiça. Em Araçatuba, uma mulher perdeu mais de R$ 66 mil no golpe do falso advogado pelo WhatsApp; o criminoso usou a foto do verdadeiro defensor para obter acesso à conta bancária da vítima.
Estratégias dos criminosos
O delegado seccional de Araçatuba, Getúlio Nardo, explicou que os golpistas diversificam suas abordagens. Os golpes mais comuns incluem falso advogado, falso funcionário de banco e falso gerente de banco. “A motivação é o dinheiro fácil. A pessoa ganha dinheiro de uma forma mais fácil, sem correr muito risco. Em um assalto, há o risco de a vítima reagir ou de o criminoso ser preso imediatamente. Já no golpe digital, isso é muito mais difícil. As vítimas caem com facilidade e a arrecadação de dinheiro é grande”, afirmou Nardo.
Perfil das vítimas
A pesquisa da Seade indica que pessoas entre 30 e 59 anos, com maior escolaridade e renda elevada, são as que mais relatam tentativas de golpe. No entanto, o delegado ressalta que o perfil se ampliou: “Não existe uma principal vítima. Hoje, todo mundo cai: idosos, adolescentes, profissionais estabelecidos. Parece que o golpista entra na cabeça da pessoa e ela esquece tudo. Vão passando o dinheiro como se não houvesse um amanhã”. Os criminosos usam técnicas de convencimento e urgência para levar as vítimas a agir por impulso.
Prevenção e orientações
O delegado orienta que, ao cair em um golpe, a vítima registre ocorrência em uma delegacia. A principal forma de evitar prejuízos é a prevenção: não fazer pagamentos ou transferências sem confirmar a veracidade da solicitação. Em caso de pedido de dinheiro por mensagem de um familiar, o ideal é ligar antes. Se receber mensagem de suposto funcionário de banco, encerre o contato e procure os canais oficiais da instituição.
- Desconfie de toda ligação ou mensagem.
- Nenhum banco solicita senhas, chaves PIX ou transferências para “testar” o sistema.
- Não clique em links suspeitos enviados por SMS, e-mail ou redes sociais.
- Não acesse o aplicativo do banco durante uma chamada telefônica.
- Não permita acesso remoto ao celular a terceiros.
Outros casos na região
Em 18 de maio, uma empresária de São José do Rio Preto perdeu R$ 164 mil no golpe do falso funcionário de banco. As transferências incluíram PIX de R$ 39,9 mil, R$ 40 mil, R$ 19,9 mil, R$ 17 mil e outros valores. Em 29 de maio, um médico da mesma cidade perdeu R$ 88,9 mil no golpe do falso gerente de banco. Em Fernandópolis, um idoso de 72 anos perdeu R$ 10 mil no “golpe do falso prêmio”. A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em janeiro contra uma quadrilha especializada nesse tipo de golpe.



