A Polícia Civil investiga um suposto golpe que teria feito cerca de 200 vítimas em Arari, no Maranhão. Moradores afirmam ter pago entre R$ 1 mil e mais de R$ 2 mil para garantir vaga em um curso de marinheiro mercante, mas as aulas nunca começaram. O homem responsável pela oferta se apresentava como tenente aposentado da Marinha do Brasil.
Como o suposto golpe foi aplicado
Os primeiros contatos ocorreram em novembro de 2024. Segundo os denunciantes, o curso custaria R$ 10 mil, teria duração de seis meses e habilitaria os alunos para trabalhar em navios comerciais. Após anúncios nas redes sociais e indicações de ex-alunos, moradores decidiram fazer a pré-inscrição. Eles afirmam que o homem se identificava como Waldenir Duarte Reis e dizia que as aulas começariam após a conclusão de um processo de credenciamento junto à Marinha e à Capitania dos Portos do Maranhão.
Adiamentos sucessivos e falta de resposta
O primeiro prazo informado para o início do curso foi novembro de 2024. Depois, a data foi adiada para março de 2025, mas as aulas não começaram. Um dos denunciantes, identificado como Fábio, afirmou que Waldenir também usava o nome de um instituto particular de São Luís que oferece o curso de marinheiro mercante. Segundo Fábio, Waldenir havia trabalhado como instrutor na instituição, mas não mantém mais vínculo com o grupo de ensino. Fábio disse que perdeu a esperança de fazer o curso e agora tenta receber o dinheiro de volta. "Mas depois que passa do prazo que não tem resposta, a pessoa já começa a desacreditar. Foi isso que foi acontecendo", disse Fábio.
Comprovantes e tentativas de contato
Os denunciantes afirmam ter comprovantes das transferências bancárias. Um deles apresentou dois pagamentos de R$ 1 mil, incluindo uma transferência feita em 3 de novembro de 2025. Segundo os candidatos, as tentativas de contato com Waldenir eram respondidas por mensagens de texto ou de áudio com justificativas para os atrasos. Em uma das mensagens enviadas aos interessados no curso, ele dizia: "No momento é porque eu não estou podendo usar o telefone. Mas assim que der, eu vou te retornar para conversar contigo."
Denúncia à polícia e posicionamento das instituições
Diante dos sucessivos adiamentos, o grupo decidiu denunciar o caso à Polícia Civil. Um dos trabalhadores afirmou que não sabe se conseguirá recuperar o valor pago, mas espera que a Justiça tome providências. "Não sei se eu vou ter o meu dinheiro de volta, mas eu só queria que a Justiça tomasse providência pelo pessoa", disse o denunciante.
A Marinha do Brasil informou que Waldenir Duarte Reis não possui vínculo, credenciamento ou autorização para representar a instituição ou a Capitania dos Portos do Maranhão. A instituição afirmou ainda que vai analisar o caso e poderá adotar as medidas cabíveis caso encontre indícios de uso indevido do nome da Marinha ou da Capitania dos Portos.
O Instituto de São Luís informou que Waldenir trabalhou como instrutor no local há mais de dez anos, mas atualmente não mantém nenhum vínculo com o grupo de ensino.
A Polícia Civil informou que investiga as denúncias e realiza diligências para localizar Waldenir. O objetivo é ouvi-lo sobre os fatos relatados pelos moradores.



