Moradores denunciam GCM por agressão após jogo do Brasil em Guarulhos
GCM é denunciada por agressão após jogo do Brasil em Guarulhos

Moradores da comunidade Vale dos Machados, em Guarulhos, denunciam que uma operação da Guarda Civil Municipal (GCM), realizada na noite de segunda-feira (29) após o jogo da Seleção Brasileira, foi marcada por uso desproporcional da força. Segundo relatos e vídeos gravados por moradores, a ação deixou pessoas feridas.

Relatos de violência e produção de vídeos

Os moradores afirmam que a operação teria sido comandada por um delegado e alegam que a ação ocorreu para a produção de vídeos destinados às redes sociais. Procurada pelo g1, a Prefeitura de Guarulhos disse que a "Corregedoria da Guarda Civil Municipal (GCM) instaurou procedimento apuratório para investigar as circunstâncias da ocorrência e possíveis desvios de conduta durante a operação". A prefeitura afirma que todas as medidas cabíveis já foram tomadas e que a apuração seguirá rigorosamente os protocolos ao rigor da lei. A prefeitura disse ainda que a Polícia Civil não participou da operação.

Moradores desconhecem motivo e acusam delegado

Os relatos apontam que os moradores não sabem explicar o motivo da operação. Eles acusam o delegado e agentes da GCM de realizarem ações na comunidade para produzir vídeos que seriam publicados na internet. Ainda segundo os moradores, esta não teria sido a primeira operação no local. Eles afirmam que conteúdos sobre essas ações costumam ser publicados pelo delegado nas redes sociais.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Bombas, tiros e agressões contra moradores

Ao g1, outras pessoas que sofreram com a abordagem agressiva da GCM relatam que eles chegaram à comunidade lançando bombas e efetuando disparos. Eles também afirmam que agentes invadiram comércios, causaram danos aos estabelecimentos e agrediram moradores, incluindo crianças.

O motoboy e entregador Raphael Berbare, de 25 anos, conta que estava comemorando a vitória da Seleção Brasileira quando a operação começou. "A gente estava aqui comemorando a vitória da Seleção, anoiteceu, entraram aqui alguns meninos fugindo da polícia. Eles pararam as motos já jogando bombas, gás, dando tiros, e na hora do corre-corre, uma senhora daqui, que é muda, correu em direção a eles com medo, e foi o momento em que eles começaram a distribuir pancada em todo mundo, sendo que a gente estava de boa, com crianças, idosos. Em momento algum perguntaram nada para a gente, só chegaram jogando bomba e batendo", afirma ao g1. Raphael disse que os moradores querem poder permanecer na comunidade sem medo. "A gente só quer paz dentro da nossa comunidade, poder ficar na rua com nossas crianças, sem correr o risco de a polícia entrar aqui e acontecer tudo isso."

Morador é atingido por bomba na frente do filho

O instalador de redes de fibra óptica para internet Nilclevesson Silvester Pereira da Silva, de 33 anos, relatou que assistia ao jogo com o filho, de 12 anos, quando foi surpreendido pela ação. "Não teve abordagem nenhuma, eu estava assistindo a um jogo aqui com o meu filho de 12 anos quando fui surpreendido com uma bomba. Quando olhei para trás e vi a bomba, pisei e empurrei o meu filho para ele não ser atingido, mas ela acabou explodindo em mim." O filho de Silvester também foi atingido por fragmentos da bomba, mas sofreu ferimentos leves. Uma das vítimas que, segundo os moradores, teve a casa invadida e foi detido pela GCM por algumas horas, preferiu não se identificar por estar com medo das ameaças que teria recebido das autoridades.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar