Em uma estrada de terra no município de Jateí, em Mato Grosso do Sul, o pescador Rafael Gandine foi surpreendido por uma cena rara: um gavião-carijó caído no chão com uma cobra enrolada em seu pescoço após uma tentativa de caça que terminou de forma inesperada. O vídeo, gravado por ele, mostra a ave de rapina imobilizada por uma cobra-cipó, que teria reagido ao ataque e conseguido inverter os papéis da caça. Rapidamente, as imagens acumularam milhares de visualizações ao mostrar um desfecho pouco comum na natureza, onde predadores costumam levar vantagem sobre suas presas.
O relato do pescador
Durante a gravação, Rafael Gandine comentou: 'Eu não vou atrapalhar aqui o processo não. […] Mas sei que deu ruim para o gavião aqui, não foi bom negócio não. A cobra tá inteira aqui. A presa virou caçador e o caçador virou a presa, que louco'. Sua atitude de não intervir foi correta, conforme especialistas.
Intervenção é crime ambiental
A interferência em cenas de predação na natureza, como a aproximação ou tentativa de alterar o comportamento de animais silvestres, pode ser enquadrada como crime ambiental no Brasil. A prática é proibida pela Lei de Crimes Ambientais, que protege a fauna e impede qualquer ação que cause perturbação, perseguição ou alteração do comportamento natural das espécies em seu habitat. Em situações como essa, o ideal é manter distância e evitar qualquer intervenção, já que o equilíbrio entre predador e presa faz parte do funcionamento dos ecossistemas.
Características das espécies envolvidas
Gavião-carijó
O gavião-carijó é uma das aves de rapina mais conhecidas do Brasil. A espécie pode atingir cerca de 41 centímetros de comprimento e desempenha papel importante no equilíbrio ambiental ao controlar populações de roedores e aves menores.
Cobra-cipó
Já a cobra-cipó tem hábitos diurnos e pode apresentar coloração verde ou marrom. Ágil e esguia, costuma viver em árvores e arbustos. Na fase adulta, pode alcançar cerca de um metro de comprimento. Apesar de poder morder quando se sente ameaçada, a espécie não representa risco grave para seres humanos. Sua alimentação é baseada principalmente em rãs e lagartos.



