Funcionário de gabinete de deputado preso é morto a facadas em Salvador
Funcionário de gabinete de deputado preso morto a facadas

Um funcionário do gabinete do deputado estadual Kleber Cristian Escolano, conhecido como "Binho Galinha", foi morto a facadas na noite de quarta-feira (29) dentro de um imóvel em Salvador. A vítima, Loran Prazeres Conceição, era funcionário da Câmara Municipal de Amargosa, no interior da Bahia, e estava cedido ao gabinete do deputado para ocupar um cargo de confiança.

Detalhes do crime

Segundo a Polícia Militar, o imóvel onde a vítima estava foi invadido. Não há informações sobre a autoria ou motivação do homicídio. A polícia investiga o caso e ainda não descarta nenhuma hipótese. O corpo de Loran foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para perícia.

Quem é Binho Galinha

Binho Galinha está preso desde outubro de 2024, como parte das investigações da Operação El Patrón, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e pela Polícia Civil. Ele é suspeito de envolvimento com organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar. Além disso, o deputado foi condenado a mais de 36 anos de prisão por crimes relacionados ao Estatuto do Desarmamento, incluindo posse ilegal de arma de fogo de uso restrito e comércio ilegal de armas.

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Binho Galinha, que exerce mandato na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), tem histórico de polêmicas e investigações. Antes da prisão, ele já acumulava condenações judiciais, mas seguia no cargo graças a recursos. A Operação El Patrón, que o levou à cadeia, apura um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de fachada e jogos ilegais. Até o momento, a defesa do deputado não se manifestou sobre o assassinato de Loran.

Relação com o homicídio é descartada?

Até o fechamento desta reportagem, não há informações que liguem diretamente o deputado estadual ao homicídio de Loran Prazeres. A Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia de Homicídios (DH), assumiu as investigações e trabalha para esclarecer as circunstâncias do crime. Familiares da vítima prestaram depoimento e afirmaram que Loran não havia relatado ameaças recentes.

O assassinato ocorre em meio a um cenário de tensão política na Bahia, com Binho Galinha ainda no centro de controvérsias. Enquanto isso, a Câmara Municipal de Amargosa lamentou a morte do servidor em nota oficial, destacando que Loran era funcionário dedicado e que prestou serviços relevantes ao município. A nota também informou que será aberta uma sindicância para apurar as circunstâncias da cessão do servidor ao gabinete do deputado.

Impacto político e reações

O crime gerou comoção entre colegas de trabalho e políticos locais. O presidente da AL-BA, deputado Adolfo Menezes, manifestou pesar nas redes sociais e cobrou celeridade nas investigações. "A violência não pode calar a democracia. Esperamos que a polícia encontre os responsáveis e que a justiça seja feita", escreveu. O governo da Bahia, por meio da Secretaria de Segurança Pública, afirmou que reforçará as investigações e que não medirá esforços para elucidar o caso.

Enquanto isso, Binho Galinha permanece preso no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. Sua defesa já anunciou que recorrerá da condenação de 36 anos, e aguarda julgamento de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O deputado não comentou o assassinato de seu funcionário, e seus advogados não foram localizados para prestar esclarecimentos.

Contexto da Operação El Patrón

A Operação El Patrón, deflagrada em outubro de 2024, cumpriu mandados de busca e apreensão e prisão preventiva contra Binho Galinha e outros suspeitos. As investigações apontaram que o deputado utilizava empresas de fachada para movimentar recursos provenientes de jogos ilegais, como caça-níqueis e bingos clandestinos. O esquema teria movimentado milhões de reais nos últimos anos. Além da lavagem de dinheiro, a organização criminosa também é suspeita de envolvimento em crimes violentos, embora Binho Galinha não seja formalmente acusado de homicídio.

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A morte de Loran Prazeres ocorre em um momento delicado para a investigação, e a polícia não descarta que o crime possa estar relacionado a disputas internas do submundo do jogo ilegal. No entanto, as autoridades evitam fazer ligações precipitadas. "Todas as linhas de investigação estão abertas. Vamos aguardar as provas", afirmou o delegado responsável pelo caso, em entrevista coletiva.

A comunidade de Amargosa, cidade natal de Loran, está consternada. Amigos e familiares realizaram uma vigília em frente à Câmara Municipal, pedindo justiça. O corpo do servidor será velado na cidade e sepultado nesta sexta-feira (31). Loran deixa esposa e dois filhos menores de idade.