Proprietária de clínica de estética foragida mantém redes sociais ativas
Foragida mantém redes sociais após denúncias de sequelas

A Polícia Civil realiza, na manhã desta sexta-feira (24), buscas pela proprietária de uma clínica de estética em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ana Paula Lima de Souza Mariano é considerada foragida da Justiça e continua ativa nas redes sociais, mesmo após ter sido alvo de uma operação policial no mês passado.

Denúncias de pacientes e irregularidades na clínica

Pelo menos 20 pacientes denunciaram ter sofrido sequelas após procedimentos realizados por Ana Paula. O Disque Denúncia divulgou um cartaz com informações e solicita auxílio da população para localizar seu paradeiro. Segundo as investigações, a empresária anunciava procedimentos de remodelação de glúteos com ácido hialurônico, mas os pacientes recebiam aplicações de polimetilmetacrilato (PMMA), substância cuja utilização para fins estéticos é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO).

Falta de especialização e materiais vencidos

De acordo com o delegado Wellington Vieira, Ana Paula não possuía a especialização necessária para realizar esse tipo de procedimento. “Ela não tinha especialidade para fazer esse tipo de procedimento, que é muito invasivo e precisa de uma especialização. Ela não tinha isso. A assistente dela muito menos. É uma pessoa que, inclusive, está presa atualmente”, disse o delegado. Durante as investigações, os agentes encontraram diversas irregularidades na clínica, incluindo muito material fora da validade. “Muito material fora da validade foi encontrado e aprendido. Então, muitas irregularidades fizeram com que a Ana Paula agora tenha o status de foragida da Justiça”, completou o delegado.

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O que é o PMMA e seus riscos

O polimetilmetacrilato (PMMA) é uma substância sintética composta por microesferas suspensas em gel e utilizada como preenchedor permanente. Na medicina, seu uso é autorizado em situações específicas, como a correção de deformidades e a reconstrução de tecidos. Nos últimos anos, porém, o produto também passou a ser aplicado em procedimentos estéticos para aumentar o volume de regiões do corpo, como glúteos e rosto, prática que é alvo de críticas de entidades médicas devido ao risco de complicações graves.

Foragida continua ativa nas redes sociais

Mesmo com um mandado de prisão em aberto, Ana Paula teria mudado de área de atuação e passado a trabalhar com micropigmentação. Ainda foragida, ela continua atualizando suas redes sociais. “Quanto mais falam de mim, mais like e mais seguidores eu estou ganhando. Gente, Instituto Paula Lima está aberto, funcionando normalmente em Madureira, Vilar dos Teles e, em breve, na Barra da Tijuca, tá?”, afirmou Ana Paula em um vídeo postado em seu perfil.

Relatos de vítimas e consequências físicas

As pacientes que denunciaram a profissional relatam enfrentar até hoje consequências físicas e emocionais decorrentes dos procedimentos. Juliana Ribeiro contou que exames identificaram múltiplos nódulos nos glúteos e a presença de um corpo estranho no organismo. “Uma ultrassonografia apontou 11 nódulos no meu glúteo e um corpo estranho. Os exames também detectaram uma bactéria no meu sangue em decorrência do procedimento estético. Fiquei 14 dias recebendo antibióticos na veia e agora vou precisar ser internada”, relatou. Outra vítima, Clara Veloso, afirmou que sofreu fortes dores poucos dias após a intervenção estética. “Foi muito dolorido. Quatro dias depois, eu estava com dores intensas. Elas receitaram antibiótico e corticoide. Tive muita febre e fiquei internada por 30 dias, quando descobriram a bactéria”, disse.

Como denunciar

A TV Globo não conseguiu contato com a defesa de Ana Paula. O Disque Denúncia reforça o pedido para que qualquer informação sobre o paradeiro de Ana Paula Lima Mariano seja comunicada às autoridades. O anonimato é garantido. Serviço: Disque Denúncia Central de atendimento/Call Center do DD: (021) - 2253 1177 ou 0300-253-1177. WhatsApp Anonimizado /DD: (021) – 2253-1177. Aplicativo: Disque Denúncia RJ.

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