Feminicídios batem recorde e assassinatos têm menor taxa desde 2012
Feminicídios recorde; assassinatos em menor taxa desde 2012

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira (23), revela que os feminicídios bateram recorde em 2025, enquanto a taxa de assassinatos atingiu o menor patamar desde 2012. No entanto, as mortes provocadas por policiais em serviço cresceram 5,4%, totalizando 6.602 vítimas – o maior número absoluto desde o início da série histórica em 2016.

Feminicídios em alta

Em média, quatro mulheres foram mortas por dia no Brasil em 2025, vítimas de feminicídio. O número recorde contrasta com a redução geral das mortes violentas. Além disso, outros indicadores de violência contra a mulher também registraram alta: violências psicológicas cresceram 17%, stalking 30%, descumprimento de medida protetiva 17% e ameaças 0,5%. O país registrou três tentativas de feminicídio para cada crime consumado ao longo do ano.

Queda histórica nos assassinatos

O Brasil registrou 40.775 assassinatos em 2025, uma queda de 8% em relação a 2024, e a menor taxa desde 2012. Pela primeira vez, a taxa de mortes violentas intencionais ficou abaixo de 20 por 100 mil habitantes, atingindo 19,1. As dez cidades mais violentas do país estão no Nordeste, metade delas na Bahia. Maranguape (CE) lidera o ranking pelo segundo ano consecutivo, sendo o único município a superar a taxa de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes. Santa Catarina tornou-se o estado com a menor taxa do país (7,6 mortes por 100 mil habitantes), posição ocupada por São Paulo desde 2014.

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Letalidade policial atinge recorde

As mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) cresceram 5,4% em 2025, totalizando 6.602 vítimas – o maior número absoluto desde 2016. Essas mortes já representam 16,2% de todas as mortes violentas intencionais (MVI) registradas no país, a maior participação desde 2014. Entre 2016 e 2025, o crescimento acumulado foi de 55,7%. O aumento foi impulsionado em parte pela Operação Contenção, deflagrada em outubro no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, considerada a ação policial mais letal já registrada no país, com 122 mortos (5 policiais). A operação respondeu por 15% de todas as mortes provocadas pela polícia fluminense no ano e por 2% do total nacional.

Policiais mortos: queda geral, mas alta no RJ

O número de policiais civis e militares mortos caiu de 144 para 139 em 2025, uma redução de 3,5%. No entanto, enquanto as mortes de PMs recuaram, as de policiais civis subiram. O suicídio segue como principal causa de morte entre profissionais de segurança, embora os registros tenham caído 12,7% (de 126 para 110 casos). O perfil dos policiais mortos é majoritariamente de homens (98,2%), negros (61,8%) e com idade entre 30 e 49 anos. No Rio de Janeiro, as mortes violentas de policiais saltaram de 28 para 51 (+82,1%), impulsionadas pela Operação Contenção.

Outros indicadores do anuário

Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil cresceram 25%. Casos de bullying e cyberbullying aumentaram mais de 60% entre jovens, após a criação de tipo penal específico em 2024. A quantidade de adolescentes em medida socioeducativa caiu 54% em 9 anos: são 12,2 mil jovens, a maioria meninos (93%), negros (74%) e entre 16 e 18 anos (76%). As ocorrências mais comuns são roubo (29%) e tráfico de drogas (28%). O número de pessoas no sistema prisional cresceu 6%, chegando a 964 mil. O estudo prevê que, mantida a tendência, o Brasil pode atingir 1 milhão de presos em 2027. Há 2,1 milhões de empresas e pessoas autorizadas a ter armas – desse total, 1 milhão têm licença de CAC (Caçadores, Atiradores e Colecionadores) – e 1,6 milhão de armas cadastradas. Três em cada 10 armas estão com registro vencido.

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