O número de feminicídios no Tocantins cresceu 52,8% em 2025, passando de 13 para 20 casos em relação a 2024, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. O estado havia registrado uma redução de 28,3% entre 2023 e 2024, mas o aumento recente acendeu o alerta para a segurança das mulheres.
Aumento de outros crimes contra a mulher
Além dos feminicídios, outros tipos de violência contra a mulher também cresceram. As lesões corporais no contexto de violência doméstica aumentaram 5,3%, passando de 2.209 casos em 2024 para 2.343 em 2025. Os casos de perseguição (stalking) subiram 2,3%, de 871 para 897, e a violência psicológica cresceu 9,6%, de 501 para 553 ocorrências. As ameaças tiveram leve alta de 0,3%, de 8.130 para 8.209.
Descumprimento de medidas protetivas
O descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência também aumentou: foram 853 registros em 2025, contra 699 em 2024. A advogada Natália Santos destacou que, antes do feminicídio, as vítimas geralmente sofrem outras agressões. "Quando a gente chega à situação dessa vítima vir a óbito, em razão do feminicídio, já teve uma violência exagerada, já teve ameaças, possivelmente já teve agressões, muitas vezes já tem até medida protetiva deferida", afirmou.
Casos emblemáticos de 2025
No sudeste do Tocantins, em Arraias, Aliny Pereira de Ornelas, de 25 anos, foi morta por Edivaldo Teixeira Chaves, de 36 anos, que tirou a própria vida após o crime. Familiares relataram que o casal estava separado há dois meses, mas ele não aceitava o fim do relacionamento. Em Gurupi, Maysa Rodrigues Fernandes Cardoso, de 35 anos, foi morta pelo esposo, que ficou com o corpo por 24 horas antes de enterrá-lo em uma área de mata. A filha do casal, de 18 anos, acionou a Polícia Militar desconfiada do sumiço da mãe.
Em Figueirópolis, a técnica de enfermagem Daiany Batista de Carvalho, de 31 anos, foi assassinada a tiros. Um homem de 38 anos foi preso como executor, afirmando ter sido contratado por R$ 5 mil. O ex-vereador de Sandolândia, Genivaldo Mendes da Silva, de 47 anos, suspeito de ser o mandante, também foi preso. Em Esperantina, Antônia Taynara Sousa Silva, de 20 anos, foi esfaqueada e morta na própria casa. O companheiro, de 47 anos, foi preso. A vítima sofria violência doméstica e a família tentou afastá-la, mas ela retornava ao relacionamento.
Reação do governo e desafios
A presidente da Comissão de Políticas Criminais OAB/TO, Ioná Bezerra, comentou: "Não existem tantas delegacias especializadas da mulher e muitas vezes a gente sabe que esse número aumentou, mas a vítima, na maioria das vezes, não sabe onde procurar ajuda e essa medida não chega a tempo da necessidade dela. Que esses números venham para que o estado possa tomar medidas mais efetivas".
A Secretaria de Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) informou que intensifica as ações de prevenção e ampliou a Operação Mulher Segura em 2026, que agora tem caráter permanente. A pasta também determinou prioridade absoluta na investigação dos feminicídios. Em 2026, até julho, foram registrados cinco casos, todos com inquéritos policiais concluídos. A SSP destacou ainda a redução de 2,2% nas mortes violentas intencionais no estado e de 48,3% na letalidade policial, atribuindo os resultados ao fortalecimento da inteligência e integração das forças de segurança.



