O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que os feminicídios no Brasil atingiram o maior número já registrado em 2025, com 1.571 vítimas, uma média de quatro mulheres mortas por dia. O número representa um aumento de 4% em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.504 crimes. Esse é o maior registro desde a tipificação do crime em 2015.
Queda histórica nas mortes violentas
Na contramão dos feminicídios, as mortes violentas intencionais caíram 8% em 2025, totalizando 40.775 vítimas, o menor patamar desde 2012. A taxa de homicídios dolosos foi de 15,1 por 100 mil habitantes, ficando abaixo da meta de 16 estabelecida pelo Plano Nacional de Segurança Pública para 2027. O Brasil atingiu, pela primeira vez, uma taxa geral de mortes violentas inferior a 20 por 100 mil habitantes, chegando a 19,1.
Análise dos especialistas
Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirma que o aumento dos feminicídios reflete tanto a melhoria no registro quanto um crescimento real. “Se a gente estivesse lidando apenas com a melhoria do registro, a gente ia esperar uma estabilização após alguns anos. Mas o que a gente tem observado é um crescimento que segue de forma contínua ao longo desse período de monitoramento”, explica. Ela destaca ainda a alta em outros indicadores de violência doméstica: violência psicológica (+17%), stalking (+30%), descumprimento de medida protetiva (+17%) e ameaças (+0,5%).
David Marques, gerente de programas do Fórum, comemora a redução geral das mortes violentas, mas ressalta desafios: “A gente está diante de um fenômeno a ser comemorado dentro da política de segurança pública do Brasil. Dentro do número geral de mortes violentas intencionais, ainda tem o feminicídio, que cresceu, e as mortes decorrentes de intervenção policial, que são algo bastante desafiador”.
Destaques regionais e outros indicadores
Vinte das 27 unidades federativas registraram queda nas mortes violentas, com destaque para Amazonas (-32,5%), Rio Grande do Sul (-25,7%) e Mato Grosso (-23,2%). As dez cidades mais violentas estão no Nordeste, metade na Bahia; Maranguape (CE) lidera pelo segundo ano consecutivo, com taxa superior a 100 mortes por 100 mil habitantes. Santa Catarina tornou-se o estado com a menor taxa do país (7,6 por 100 mil), superando São Paulo.
As mortes cometidas por policiais aumentaram 5% em 2025, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%. Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdo de abuso sexual infantil cresceram 25%. Casos de bullying e cyberbullying aumentaram mais de 60% entre jovens, após a criação de tipo penal específico em 2024.
O número de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa caiu 54% em nove anos, para 12,2 mil jovens, a maioria meninos (93%), negros (74%) e entre 16 e 18 anos (76%). As ocorrências mais comuns são roubo (29%) e tráfico de drogas (28%). A população prisional cresceu 6%, chegando a 964 mil pessoas; o estudo prevê que o Brasil pode atingir 1 milhão de presos em 2027 se mantida a tendência.
Há 2,1 milhões de empresas e pessoas autorizadas a ter armas, das quais 1 milhão são CACs (caçadores, atiradores e colecionadores), e 1,6 milhão de armas cadastradas. Três em cada dez armas estão com registro vencido.



