Família suspeita de desviar doações para enchentes do RS é presa no ES e MG
Família suspeita de desviar doações para enchentes do RS é presa

Três irmãos e a esposa de um deles, suspeitos de criar um site falso para arrecadar doações destinadas às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, podem ter movimentado mais de R$ 18 milhões com o esquema, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil do Espírito Santo nesta segunda-feira (29). As prisões ocorreram na sexta-feira (26), durante a Operação Falsa Esperança, em Vila Velha (ES) e Muriaé (MG).

Como funcionava o golpe

O delegado Rodrigo de Mello Toscano, titular da Delegacia de Polícia de Piúma, explicou que a investigação começou após um alerta da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. "O ofício que recebemos apontava que uma organização criminosa havia criado um site falso para arrecadar doações. Aproveitando-se da solidariedade das pessoas em um momento de grande fragilidade, os investigados simulavam uma campanha beneficente para captar recursos de forma fraudulenta", detalhou. Após a retirada do site do ar, os suspeitos passaram a aplicar golpes de falso empréstimo usando os dados pessoais das vítimas que haviam acessado a página para doar.

Presos e movimentação financeira

Diego Leite de Sousa, de 31 anos, apontado como líder, foi preso em um apartamento no bairro Jockey, em Vila Velha. Os irmãos Jackson Leite de Sousa (33) e Jefferson Leite de Sousa (35) foram localizados em Muriaé, na mesma casa onde estava Thays Martins Nascimento (27), esposa de Jefferson. Os quatro são investigados por organização criminosa e estelionato. Segundo a polícia, as análises financeiras apontaram movimentações milionárias. "O apontado como líder da organização realizou movimentações financeiras por intermédio de uma pessoa jurídica que transacionou com mais de 40 pessoas e apresentou movimentação atípica superior a R$ 18 milhões durante o período investigado, entre 2024 e o presente momento", informou o delegado.

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Padrão de vida incompatível

As investigações também revelaram que os suspeitos mantinham um padrão de vida incompatível com a renda declarada. "No momento das prisões, eles afirmaram que não estavam trabalhando. Entretanto, residiam em imóveis de padrão elevado, mobiliados com bons equipamentos e eletrônicos, além de possuírem veículo de luxo, situação incompatível com a ausência de atividade profissional, indicando que viviam, muito provavelmente, dos valores obtidos com os golpes", afirmou Toscano. Os policiais apreenderam aparelhos eletrônicos, celulares, substâncias anabolizantes e um veículo de luxo avaliado entre R$ 190 mil e R$ 200 mil, adquirido cerca de um mês antes da operação.

Vítimas em vários estados

O esquema tinha atuação nacional e fez vítimas em pelo menos cinco estados brasileiros. As vítimas acessavam links disponibilizados na página falsa e eram direcionadas a um número de telefone controlado pelos criminosos. A partir desse contato, os investigados obtinham dados sensíveis, como CPF e imagens de documentos pessoais, utilizando essas informações para aplicar novos golpes. O delegado informou que os investigados já respondem a outra ação penal por crimes patrimoniais praticados pela internet, com participação dos pais dos irmãos.

Orientações da polícia

A Polícia Civil orienta que a população redobre a atenção antes de fazer doações pela internet ou fornecer dados pessoais em plataformas digitais. É importante verificar se o site é oficial, conferir a chave PIX, confirmar a destinação dos recursos e buscar referências sobre a campanha antes de realizar qualquer transferência. As investigações continuam para identificar outras vítimas, rastrear o patrimônio obtido com os crimes e apurar a participação de possíveis outros envolvidos.

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