Uma moradora do Espírito Santo, que preferiu não se identificar, relatou que uma familiar perdeu mais de R$ 500 mil em apostas online. O dinheiro seria usado para quitar a casa própria. A parente foi diagnosticada com ludopatia, transtorno caracterizado pelo vício em jogos de azar. Segundo a jovem, a doença mudou completamente a rotina da família.
Como o vício se instalou
O que começou como uma distração no celular se transformou em um problema grave. A familiar explicou que muitos jogos são apresentados de forma aparentemente inofensiva, com elementos como aviãozinho, tigrinho e gatinho, o que facilita o envolvimento dos usuários. "Sem nem perceber, coisas que parecem inofensivas, a pessoa acaba caindo no vício", afirmou.
A jovem destacou que a compulsão chegou a um ponto em que necessidades básicas foram deixadas de lado. "A compulsão pelo jogo se tornou tão grande que as suas necessidades básicas viram secundárias, porque a pessoa só quer jogar pelo vício da aposta."
Desafios para identificar a compulsão
Segundo a jovem, um dos maiores desafios é identificar quando o comportamento deixa de ser lazer e se torna compulsão. "É muito complexo porque não é um vício como o álcool ou as drogas. Um familiar passa horas no celular e você acha que é normal, mas a pessoa está tendo um comportamento compulsivo com algo que não se tira dela, que é o próprio celular."
Ferramenta de autoexclusão do governo
No fim de 2024, o governo federal lançou uma ferramenta de autoexclusão para quem deseja interromper o acesso a plataformas de apostas regulamentadas. Pelo sistema, disponível no portal Gov.br, o usuário pode solicitar o bloqueio, definir o período da restrição e deixar de receber publicidade relacionada.
O professor de Segurança Digital da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Rodolfo Villaça, explicou que a medida tem limitações. "Esse bloqueio só funciona para casas de apostas legalizadas na Receita Federal. As ilegais continuam livres, mas considerando que a maioria está legalizada, é uma solução que ajuda a mitigar o problema."
Estratégia de redução de danos
Para o psiquiatra João Paulo Cirqueira, a ferramenta representa uma importante estratégia de redução de danos. "Tem uma eficiência importante no sentido de reduzir a chance da pessoa se expor ao dano. É uma medida importante para qualquer pessoa com dependência de jogos."
A familiar da paciente reforça que o apoio da família é essencial para identificar os primeiros sinais. "É muito importante que a família fique de olho nas pessoas que amam, se estão se isolando, com irritabilidade, perdendo dinheiro, deixando de pagar contas."
Orientacões para familiares
Especialistas recomendam que parentes estejam atentos a mudanças de comportamento, como isolamento social, irritabilidade e dificuldades financeiras. Buscar ajuda profissional, como psiquiatras e psicólogos, é fundamental para tratar a ludopatia. A rede de apoio forte é crucial para combater o vício.



