O ex-diretor-adjunto de uma creche municipal de Timon (MA), Alberto Luiz Freitas Monção, de 49 anos, foi preso nesta sexta-feira (10) em Teresina (PI). Ele é investigado por estupro de vulnerável contra crianças de 2 a 3 anos que frequentavam a unidade. Alberto Luiz era considerado foragido da Justiça do Maranhão desde domingo (5), quando rompeu a tornozeleira eletrônica e abandonou o equipamento no terminal rodoviário de Timon.
Monitoramento e prisão
Segundo a Polícia Civil, o suspeito deixou um esconderijo na zona rural de Timon, seguiu para Teresina e passou a ser monitorado. Nesta sexta-feira, foi localizado em uma casa na capital piauiense e levado à Central de Flagrantes. A prisão ocorreu após trabalho conjunto das polícias do Maranhão e do Piauí.
Investigação aponta seis vítimas iniciais
A Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) investiga se seis crianças, de 2 e 3 anos, foram vítimas de violência sexual na Creche Municipal Vila João Reis, em Timon. O caso começou com uma criança de 3 anos, aluna da creche, e a violência foi confirmada por laudo pericial. A delegada Lorena Alves, titular da Delegacia Especial da Mulher de Timon, afirmou que várias mães procuraram a unidade após a divulgação do caso, relatando novas possíveis vítimas.
“Os meninos, do sexo masculino, apresentaram comportamentos diferentes nesses últimos dias, segundo as mães narraram. (...) E, sobre as meninas, já há notícias de duas meninas também, que possivelmente a gente vai encontrar alguma materialidade, porque estariam lesionadas”, declarou a delegada em entrevista à Mirante News.
Câmeras mostram crianças levadas a depósito
Imagens de câmeras de segurança da creche flagraram o ex-diretor adjunto levando a vítima e outra criança para um depósito isolado, sem vigilância. Segundo a polícia, elas ficaram no local por alguns minutos. A suspeita é de que o suspeito retirava crianças da sala com frequência sob o pretexto de entregar brinquedos ou permitir o uso de celular. As imagens devem ajudar a identificar datas e horários em que crianças foram levadas ao local. Até o momento, outros funcionários foram ouvidos como testemunhas, mas a delegada não descarta que a situação mude.
“Tem muita coisa ainda para verificar: participação, omissão, quem já sabia, como essas crianças eram retiradas da sala sem que ninguém percebesse ou ouviu e não denunciou. Então, tudo isso vai ser apurado”, afirmou Lorena Alves. A investigação segue em sigilo para preservar as vítimas.
Medidas da prefeitura
A Prefeitura de Timon informou que Alberto Luiz Freitas Monção foi exonerado do cargo. Toda a direção da creche também foi afastada até o fim das investigações, e o município decretou intervenção imediata na unidade. Segundo a secretária municipal de Educação, Isadora Rodrigues, a creche será acompanhada por uma equipe da pasta. As aulas devem retornar na segunda-feira (1º). Uma psicóloga vai acompanhar os funcionários e dar apoio aos pais das crianças.
A secretária informou que o servidor público, que trabalha no município há 11 anos, não tinha denúncias anteriores, nem como professor nem como diretor adjunto. As famílias recebem acompanhamento jurídico, psicológico, psicossocial e social. A creche atende 205 crianças, de 2 a 3 anos. O município também oferece apoio jurídico, psicológico e psicossocial às famílias.



