O ex-cônsul dos Estados Unidos no Brasil, John Smith, emitiu um alerta contundente para o setor empresarial brasileiro: é preciso ter muito cuidado com a influência crescente do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV). Em entrevista exclusiva, Smith destacou que essas facções criminosas não são mais apenas um problema de segurança pública, mas representam um risco real para os negócios no país.
A expansão das facções criminosas
Segundo Smith, o PCC e o CV estão expandindo suas operações para além do crime tradicional, infiltrando-se em setores legítimos da economia. "Eles estão cada vez mais sofisticados, usando empresas de fachada e lavando dinheiro através de negócios aparentemente legais. As empresas precisam estar atentas a isso", afirmou.
O ex-cônsul ressaltou que a atuação dessas organizações não se limita mais a áreas periféricas ou estados específicos. "Elas estão presentes em todo o Brasil, e sua influência chega a setores como transporte, construção civil e até agronegócio. É uma ameaça transversal."
Riscos para as empresas
Smith enumerou diversos riscos que as empresas correm ao não monitorar adequadamente suas cadeias de suprimento e parceiros de negócios. "Uma empresa pode estar comprando insumos de uma fornecedora que, na verdade, é controlada por uma facção. Ou pode ter um funcionário infiltrado que está desviando recursos. Isso pode levar a multas, processos e danos à reputação."
O alerta é especialmente relevante para empresas que atuam em setores como logística, onde o controle de cargas é fundamental, e no comércio exterior, onde as facções podem usar contêineres para transportar drogas ou armas. "A due diligence é essencial, e muitas empresas brasileiras ainda são negligentes nesse aspecto."
Recomendações práticas
Para mitigar esses riscos, o ex-cônsul recomenda que as empresas adotem uma série de medidas:
- Investir em compliance robusto: Programas de integridade e conformidade devem ser implementados e revisados periodicamente.
- Realizar background checks: Verificar o histórico de fornecedores, parceiros e funcionários-chave.
- Monitorar transações financeiras: Buscar padrões suspeitos que possam indicar lavagem de dinheiro.
- Treinar funcionários: Conscientizar a equipe sobre os sinais de alerta e como reportar atividades suspeitas.
"Não se trata de paranoia, mas de gestão de risco. Qualquer empresa que ignore essa realidade está se expondo a perigos desnecessários", concluiu Smith.
O papel do governo
O ex-cônsul também cobrou uma atuação mais firme do governo brasileiro no combate às facções. "É preciso uma estratégia integrada entre as forças de segurança, o sistema judiciário e o setor privado. Sem cooperação, será difícil conter o avanço dessas organizações."
Smith elogiou iniciativas como a criação de unidades de inteligência financeira, mas disse que ainda há muito a fazer. "O Brasil tem leis boas, mas a execução é falha. É preciso mais recursos e vontade política."
O alerta do ex-cônsul dos EUA serve como um lembrete de que a segurança empresarial vai além de alarmes e vigilância patrimonial. Envolve também a compreensão do ambiente criminal em que se está inserido e a adoção de medidas proativas para se proteger.



