O ex-atleta olímpico David Hearn, que competiu pelos Estados Unidos na canoagem slalom em três edições dos Jogos Olímpicos, afirmou que foi preso pela polícia na sexta-feira (19) após tocar uma parte do revestimento azul que estava parcialmente desprendida no fundo do espelho d’água do Memorial Lincoln, em Washington.
"Vi uma ponta solta desse revestimento azul. Estendi a mão e toquei a extremidade dessa peça, que estava desprendida, mas ainda presa ao fundo", disse Hearn à ABC News. "Consegui alcançar e tocar a borda dessa parte que ainda estava fixada ao fundo e a manuseei um pouco. Eu não removi, não danifiquei, não rasguei, não quebrei, não destruí nem causei qualquer dano a nenhuma parte do espelho d'água".
Detenção sem acusações formais
Segundo ele, os agentes começaram a algemá-lo sem informar formalmente quais acusações seriam apresentadas. O ex-atleta também disse que não foi informado sobre seus direitos, ficou cinco horas detido sem poder fazer ligações telefônicas e só depois foi liberado. O ex-atleta deverá comparecer à Justiça americana em julho.
A prisão ocorre em meio à polêmica sobre a reforma de US$ 14,65 milhões do local, que enfrenta problemas com algas e descascamento da pintura poucos dias após ser concluída. Neste final de semana, Donald Trump tentou atribuir os problemas a casos de vandalismo, sem apresentar provas.
Contexto da reforma
A piscina histórica foi esvaziada e reformada para as celebrações de 250 anos da Independência dos EUA por ordem de Trump. O desejo do presidente norte-americano era tirar o tom esverdeado do espelho d'água, derivado da proliferação de algas, e pintar o fundo de azul. Porém, menos de duas semanas depois de Trump anunciar o fim da obra, visitantes do Lincoln Memorial, em Washington D.C., começaram a notar que a tinta da piscina refletora estava se soltando do fundo e se misturando à água.
A obra teve um contrato de US$ 14,7 milhões (cerca de R$ 75,6 milhões) sem licitação. "Tivemos alguns problemas reais com vandalismo no belo espelho d'água", escreveu Trump em sua rede social na noite de sexta-feira (19). "Assim como há três dias, destruíram a grama ao redor da piscina, também fizeram de tudo para danificar a superfície interna que acabou de ser instalada." Trump não apresentou detalhes que comprovem a acusação.
Reações e investigações
As agências responsáveis pela segurança e manutenção do National Mall, como o Serviço Nacional de Parques, não responderam aos pedidos de comentário. O jornal "Washington Post" informou que a Polícia de Parques prendeu alguém na sexta-feira por, segundo eles, arrancar tinta da piscina. Trump insistiu que havia algo suspeito acontecendo.
"Não é diferente dos produtos químicos usados no National Mall; usaram algo semelhante no espelho d'água para tentar destruir e desmerecer nosso belo trabalho", escreveu na Truth Social. Ele se referia à descoberta, na semana anterior, de grandes números gravados na grama descolorida do National Mall: "86 47". Autoridades disseram que os números poderiam ter sido uma ameaça a Trump, o 47º presidente. O número 86 pode ser gíria para "se livrar de". O caso está sob investigação.
As declarações de Trump vieram após dias de atenção negativa sobre o estado do espelho d’água, cuja reforma ele promoveu por mais de US$ 14 milhões para as comemorações dos 250 anos dos EUA. Logo após a obra, houve uma proliferação de algas que voltou a deixar a água esverdeada — cor que Trump tentou substituir ao mandar pintar o fundo de “azul bandeira americana”. Funcionários federais trataram a água com produtos químicos para eliminar as algas. Agora, partes da tinta azul se soltaram, expondo o fundo rochoso.



