Uma enfermeira obstetra e suas duas irmãs, de 25, 27 e 28 anos, foram indiciadas pela Polícia Civil do Paraná por suspeita de venderem remédios abortivos pela internet, utilizando redes sociais para anunciar e os Correios para enviar os produtos a clientes de todo o Brasil. O caso foi revelado pelo delegado Derick Moura Jorge, responsável pelas investigações.
Investigação começou após denúncia do CRM-SC
Segundo o delegado, a investigação teve início após uma denúncia técnica encaminhada pelo Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC). "A denúncia apontava um perfil anunciando a venda ilícita de pílulas abortivas com um número de contato de Santa Catarina. Contudo, o aprofundamento das investigações e o cruzamento de dados de inteligência cibernética revelaram que, embora os anúncios simulassem uma base catarinense, as investigadas estavam localizadas, residiam e agiam diretamente a partir do município de Ponta Grossa", explicou o delegado.
Esquema estruturado e divisão de tarefas
As três irmãs, cujos nomes não foram divulgados e que ainda não constituíram defesa, respondem ao inquérito em liberdade. Quando a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão na residência delas, não encontrou os medicamentos, o que impediu a configuração de flagrante. No entanto, foram apreendidos celulares que continham provas das vendas. O delegado afirmou que as provas indicam "a existência de um grupo corporativo virtual estruturado, no qual as indiciadas dividiam tarefas operacionais específicas, incluindo o controle e tabelamento de preços e a prospecção de clientes em larga escala".
Risco à saúde pública e substâncias restritas
"As substâncias comercializadas ilegalmente possuem comercialização e uso estritamente restritos e condicionados ao ambiente hospitalar por determinação expressa da Anvisa, configurando grave risco à saúde pública quando distribuídas sem controle sanitário", destacou o delegado. As mulheres foram indiciadas pelos crimes de associação criminosa e "falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais", com pena prevista de 10 a 15 anos de prisão, além de multa. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que decidirá se oferecerá denúncia criminal.
Enfermeira orientava clientes sobre uso dos abortivos
O delegado revelou que a irmã enfermeira obstetra usava seus conhecimentos para orientar os clientes sobre como utilizar os medicamentos. "Ela fazia todo o acompanhamento e toda a parte de orientação para as adquirentes, de como deveria usar o medicamento e como deveria se comportar após o uso da medicação". Além disso, os clientes identificados nas conversas dos celulares também serão investigados pelo crime de aborto.
Investigação continua para descobrir origem dos remédios
As investigações prosseguem para identificar como as irmãs obtinham os remédios — se por importação, desvio de unidades de saúde ou com ajuda de terceiros. O g1 e a RPC entraram em contato com os Correios, o CRM-SC e o Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR) e aguardam retorno.



