A enfermeira e ex-rainha do carnaval de Rio Branco, Érica Oliveira, de 30 anos, denunciou publicamente uma tentativa de feminicídio praticada pelo ex-marido, com quem manteve um relacionamento de 16 anos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela relatou que foi enforcada até perder a consciência e que seu filho de 9 anos a salvou. "Deus me deu uma segunda chance de vida. Eu vi a morte de perto. Meu filho de 9 anos salvou a minha vida. Sofri um enforcamento até perder o nível de consciência [...] meu filho me ouviu. Graças a ele, estou viva", disse.
Investigação da Delegacia da Mulher
A delegada adjunta da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Kelcinaira da Costa, informou que o caso está sendo investigado. O suspeito já foi notificado para prestar depoimento. "Ela veio à delegacia [após a agressão], registrou o boletim de ocorrência, foi ouvida e recebeu a guia para exame de lesão corporal. No mesmo dia, foi encaminhado o pedido de medida protetiva ao Poder Judiciário. Agora aguardamos o interrogatório do autor", explicou. O inquérito policial deve ser concluído em até 30 dias.
Relacionamento abusivo desde a adolescência
Érica, servidora da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Segundo Distrito, contou que conheceu o ex-marido aos 14 anos, sendo seu primeiro namorado. Com infância marcada por abandono e violência familiar, ela encontrou acolhimento na família dele. "Eu já morei em orfanato. Meus pais não me queriam. Minha infância foi muito difícil. Quando conheci ele, a família dele me acolheu. Então envolve muita coisa. Ao mesmo tempo em que ele foi tudo para mim, ele também me fazia mal", relatou. O relacionamento foi marcado por traição, controle e violência psicológica, mas ela demorou anos para romper o vínculo.
Discussão e agressão
O casal estava separado há cerca de sete meses, mas mantinha contato por causa do filho. A discussão começou por questões financeiras relacionadas às despesas da criança. O ex-marido se exaltou e começou a enforcá-la. "Quando eu percebi, ele já estava no meu pescoço. Ele me arrastou da sala até o quarto me enforcando. Eu não sentia mais os pés no chão. Ele me suspendeu, eu tentei me debater, mas não consegui. Escureceu tudo, eu desmaiei. Quando acordei, já estava jogada no chão, com ele em cima de mim me xingando", descreveu. Ao recuperar a consciência, chamou pelo filho, que correu ao ouvir os pedidos de socorro. "Eu gritava: 'Meu filho, socorro! Seu pai vai me matar'. Ele veio correndo. Foi ele quem salvou a minha vida. Depois disso consegui ligar para a polícia e disse: 'Eu vou morrer, ele vai me matar'. Foi naquele momento que consegui pedir ajuda", relatou.
Medida protetiva e medo
Érica registrou boletim de ocorrência na Deam, solicitou medida protetiva e fez exame de corpo de delito. Ficou com marcas no pescoço, hematomas nos braços e peito, e dores nas costas. Mesmo após denunciar, afirmou que ainda enfrenta medo de novos episódios. "Eu estou com muito medo. Não vou mentir. Tentei conduzir esse divórcio de forma amigável porque tinha medo. Tentei resolver tudo de forma amigável porque tinha medo. Hoje eu só não quero morrer", detalhou.
Canais de denúncia
A Polícia Militar disponibiliza números para pedido de ajuda: (68) 99609-3901, (68) 99611-3224, (68) 99610-4372, (68) 99614-2935. Outras formas de denunciar incluem: Polícia Militar - 190; Samu - 192; delegacias especializadas; qualquer delegacia; Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) - (68) 99930-0420; Disque 100; profissionais de saúde (notificação compulsória); WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos - (61) 99656-5008; Ministério Público; e videochamada em Libras.



