O empresário José Fernandes, de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, emocionou-se ao lembrar da cena em que viu um pai chutar a própria filha de três anos. A agressão, ocorrida no domingo (5), foi flagrada por câmeras de segurança e viralizou nas redes sociais. José, dono de uma academia próxima ao local, decidiu buscar as imagens e entregá-las à polícia. Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, ele contou que agiu por instinto de pai e indignação.
O momento da agressão
As imagens mostram o pai caminhando com a menina e outro filho, de cinco anos. Em determinado momento, ele para e dá um chute na filha, que cai no chão. Segundos depois, José se aproxima, abre os braços e tenta intervir, mas é confrontado pelo homem. "A gente fica indignado, pois esse tipo de coisa a gente não está acostumado a ver. É muito triste. A gente se coloca como pai naquele momento, sabe? Para uma criança, o pai é o espelho dela, é o homem da vida dela", relembrou José, emocionado.
Cautela na abordagem
José relatou ter ficado muito preocupado com a segurança da menina e, por isso, decidiu ter cautela durante a abordagem. "Algumas pessoas me questionaram de 'por que você não bateu nele?' [...]. Eu falo para as pessoas, 'mas, gente, a criança já está passando por aquela situação ali. E aí ver o pai, que bateu nela, rolando no chão com outro cara batendo? O que vai ser da vida dessa criança?", questionou, emocionado.
Investigação policial
Em depoimento à Polícia Civil, o pai disse que chutou a menina porque ela estava chorando. Ele foi ouvido na quarta-feira (8) e não teve o nome divulgado oficialmente. O g1 tenta identificar a defesa dele. De acordo com o delegado Anderson Andrei, o homem compareceu à delegacia sem advogado, chorou e disse estar arrependido. Um inquérito foi instaurado e ele vai responder pelo crime de lesão corporal. O homem não foi preso porque não houve flagrante — o caso chegou à polícia na terça-feira (7), dois dias após a agressão. Em situações de lesão corporal, o flagrante se caracteriza quando o crime está sendo cometido ou acabou de acontecer.
Medidas protetivas
A agressão também passou a ser investigada a partir de um boletim de ocorrência registrado pela própria mãe da menina, que só soube do crime depois de ver as imagens nas redes sociais. "Em um primeiro momento, agora, a maior preocupação da Polícia Civil foi com o bem-estar da criança, como garantir a segurança dessa criança e formalizar os pedidos de medidas protetivas de urgência", disse o delegado. As medidas protetivas são a favor da menina, do irmão dela e da mãe. O Conselho Tutelar também foi acionado e acompanha o caso.
Práticas violentas na infância
Uma pesquisa do Datafolha, encomendada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, ouviu 2.206 pessoas em todo o Brasil e identificou quais são as estratégias disciplinares utilizadas por cuidadores. Segundo o levantamento, 29% dos entrevistados admitiram o uso de práticas violentas, como palmadas e beliscões em crianças de até 3 anos. A pesquisa aponta ainda que 58% dos entrevistados dizem colocar a criança de castigo e 43% relatam gritar ou brigar como forma de disciplina.



