Empresário preso por se passar por policial penal em Vila Velha
Empresário preso por se passar por policial penal em ES

Um empresário de 34 anos suspeito de se passar por policial penal e aplicar golpes foi preso na quarta-feira (17), em Vila Velha, na Grande Vitória. A descoberta do esquema começou após a ex-namorada, que é policial penal, pedir apoio da corporação para buscar pertences na casa dele.

No apartamento de André Barbosa, na Praia de Itaparica, a Polícia Penal apreendeu uniformes, carteiras funcionais falsificadas, um colete balístico identificado com o nome da corporação, armas, incluindo uma espingarda, munição e celulares.

Como a polícia chegou ao suspeito

O chefe da Divisão de Operações Táticas (DOT) da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES), Gladson Rossi, contou que a policial procurou o serviço de inteligência da Secretaria de Justiça alegando que precisava retornar à residência de um ex-namorado e não se sentia segura. "Ela alegou que ele era uma pessoa violenta e possuía armas. Chegando ao local, identificamos armas que não deveria ter, bem como uniformes falsificados e uma identidade funcional falsificada", disse Rossi.

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Segundo Rossi, as armas estavam registradas em nome do investigado, mas ele havia perdido o direito de mantê-las por determinação judicial executada pela Polícia Federal. Após a constatação das irregularidades, o empresário foi encaminhado para a Delegacia Especializada em Armas e Munições (Desarme).

Uniformes e carteira funcional falsificados

A Polícia Penal informou que os materiais encontrados no apartamento do investigado não seguiam o padrão utilizado oficialmente pela corporação. "As camisas eram muito diferentes do que a camisa oficial da Polícia Penal. A identidade funcional que ele falsificou é muito mal feita. Qualquer leigo que pegasse já ia notar que aquele documento estava estranho", disse Gladson Rossi.

Ainda segundo o policial, ao ser questionado sobre os uniformes, o suspeito alegou que os mantinha porque pretendia prestar concurso para a corporação. "Ele disse que se um dia passasse no concurso, a camisa ele já tinha". A polícia ainda não sabe como o empresário obteve o material.

'Estelionato do amor'

As investigações também indicaram que André Barbosa utilizava a imagem de policial penal para oferecer serviços de segurança privada a empresários e comerciantes. "Ele fazia diversas postagens em redes sociais utilizando armamento de forma ostensiva, sendo que ele não era policial, usando coletes, e prestava serviços de segurança privada para alguns empresários e outros tipos de comércio", afirmou Rossi.

A Polícia Civil também investiga o empresário por suspeita de crimes patrimoniais no contexto de relacionamento afetivo, prática conhecida como 'estelionato do amor'. As vítimas eram principalmente mulheres, mas também há relatos de homens. A policial penal e ex-namorada seria uma das lesadas. "Ele enganava as vítimas com muitas promessas de investimento, propostas financeiras e ganhos futuros. Fazia a pessoa pegar empréstimos, dinheiro com familiares e até cartão de crédito. Depois não pagava e desaparecia".

Vida de ostentação

A Polícia Penal informou que ele costumava exibir um padrão de vida elevado. "Aparentemente gostava de uma vida de ostentação, de carro com padrão mais luxuoso, coleção de relógios e perfumes importados".

A Polícia Penal orientou que empresas e cidadãos contratem apenas serviços de segurança prestados por empresas regularizadas e devidamente credenciadas. "Todo o uniforme e equipamento da Polícia Penal é para uso exclusivo em serviço. As pessoas que querem contratar um serviço de segurança devem procurar empresas credenciadas, com CNPJ, empresas sérias e que tenham procedência", alertou Gladson Rossi.

Investigação

A Polícia Civil informou que o suspeito foi autuado em flagrante pelos crimes de posse ilegal de arma de fogo, posse de acessório de uso restrito, falsificação de documento público e uso indevido, em público, de uniforme ou distintivo de função pública que não exerce. O empresário foi encaminhado para o Centro de Triagem, localizado no Complexo Penitenciário Rodrigo Figueiredo da Rosa, em Viana, na Região Metropolitana de Vitória.

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Considerando que há indícios de que o suspeito possa ter praticado crimes patrimoniais contra mulher no contexto de relacionamento afetivo, 'estelionato do amor', uma cópia do procedimento policial será encaminhada à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Vila Velha para análise e prosseguimento das investigações.

Sobre a ex-namorada do suspeito, a Policial Penal informou que a mulher já foi ouvida pelo delegado. "Pelo que consta, a mesma não tinha ciência das práticas e do uso ilegal dos materiais do órgão, sabia apenas das armas, que no caso, são registradas, pois o mesmo é CAC. Vale lembrar que a ação da Divisão de Operações Táticas (DOT) foi possível pelo acionamento da própria policial penal", informou o órgão.