A Polícia Civil do Paraná confirmou nesta terça-feira (28) que o empresário Hugo Gabriel Moll, de 39 anos, foi morto por engano em uma barbearia de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. O verdadeiro alvo do crime era um traficante, que havia deixado o local apenas 10 minutos antes do ataque.
O erro fatal
De acordo com o delegado Luis Gustavo Timossi, responsável pela investigação, o atirador foi contratado por outro criminoso e não conhecia pessoalmente o alvo. Recebeu a informação de que o traficante estava na barbearia e, ao chegar, efetuou os disparos. Imagens de câmeras de segurança mostram o traficante saindo do estabelecimento e, exatamente 10 segundos depois, o empresário estacionando no mesmo local. Hugo entrou na barbearia e sentou na cadeira para ser atendido pelo barbeiro João Victor Pereira, de 24 anos. O atirador invadiu o local e atirou várias vezes, atingindo ambos.
Vítima sem antecedentes criminais
Hugo Gabriel Moll era empresário do ramo da construção civil, recém-casado havia 20 dias e pai de um menino de 12 anos. Segundo a polícia, não possuía qualquer passagem criminal. O barbeiro João Victor foi baleado no tórax, passou mais de 20 dias internado e está em recuperação. Para a polícia, o dono da barbearia foi alvejado "em uma aparente tentativa dos executores de eliminar testemunhas no local".
As investigações e as prisões
Cinco homens foram presos temporariamente nesta terça-feira (28) suspeitos de envolvimento no assassinato. São eles: um homem de 34 anos, apontado como organizador da ação, com anotações criminais por tráfico de drogas, porte ilegal de arma e lesão corporal; um de 24 anos, responsável pelo fornecimento de ponto de apoio e pela cessão do armamento, com histórico de homicídio, tráfico e receptação; um de 27 anos, responsável pelo monitoramento do alvo e pela condução do veículo na fuga, com anotações por tráfico; e outros dois suspeitos, de 25 e 19 anos. O delegado afirmou que, "embora existam elementos indiciários de participação no crime", os papéis destes dois últimos ainda não serão divulgados, "pois o caso demanda a realização de diligências complementares para a completa elucidação dos fatos".
Detalhes da operação
Além dos cinco mandados de prisão temporária, a polícia cumpriu cinco mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos. Itens apreendidos serão analisados para conclusão do inquérito. A investigação, segundo Timossi, "de extrema complexidade, exigiu o cruzamento analítico de diversos dados e informações coletados no curso das diligências, com análise de imagens obtidas através do sistema viário Muralha Digital, de câmeras de segurança e de perícias realizadas". Nem o nome do verdadeiro alvo nem do atirador e dos demais envolvidos foram divulgados.
Repercussão e contexto
O crime ocorreu no dia 19 de junho, na Avenida Pedro Wosgrau, bairro Cará-Cará. Hugo não era cliente da barbearia; parou por acaso para se arrumar antes de viajar com o filho. A confirmação do erro veio após a prisão dos suspeitos. O caso gerou comoção na cidade, onde a vítima era conhecida por sua conduta ilibada e pelo recente casamento. A esposa, com quem estava junto há cerca de 20 anos, e o filho de 12 anos foram amparados por familiares.



