O empresário Hugo Gabriel Moll, de 38 anos, foi assassinado a tiros por engano no dia 19 de junho em uma barbearia na Avenida Pedro Wosgrau, bairro Cará-Cará, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A Polícia Civil concluiu que o verdadeiro alvo era um homem ligado ao tráfico de drogas que havia deixado o estabelecimento cerca de dez segundos antes da chegada de Hugo. Cinco suspeitos foram presos temporariamente nesta terça-feira (28).
Vítima não tinha passagem pela polícia
Segundo a mãe de Hugo, Osvaldina Moll, o empresário atuava na construção civil e havia se casado no dia 30 de maio, apenas 20 dias antes do crime. Deixou um filho de 12 anos, fruto de um relacionamento de 20 anos com a esposa. A polícia informou que Hugo não possuía antecedentes criminais. Ele sonhava em morar nos Estados Unidos e planejava mudar-se com a família em dois anos. Também era apaixonado por encontros de carros e, no dia do ataque, havia ido à barbearia para se arrumar antes de viajar com o filho para Londrina, onde participariam do Armageddon, evento de arrancada que reúne carros rápidos do Brasil, Argentina e Paraguai.
Osvaldina Moll contou que Hugo nunca havia ido àquela barbearia. “Ele tinha ido fazer a barba, mas nunca tinha ido nessa barbearia; o barbeiro dele não tinha horário. Como a gente tem obra que a gente constrói para esse lado, com certeza ele viu que ali só tinha uma pessoa na barbearia e decidiu ir”, afirmou. emocionada, definiu o filho como “companheiro, parceiro, maravilhoso, inteligente, que nunca se envolveu em brigas ou confusões”. “Se ele tivesse R$ 100 e você pedisse, ele te dava o último real. Só ficaram a saudade e boas lembranças.”
Dinâmica do crime e investigação
Imagens de câmeras de segurança mostram o verdadeiro alvo saindo da barbearia com seu carro instantes antes de Hugo estacionar sua caminhonete e entrar. Pouco depois, um homem armado invadiu o local e disparou, atingindo o empresário na cabeça, que morreu na hora. O barbeiro, João Victor Pereira, foi baleado no tórax e ficou mais de 20 dias internado, agora se recupera em casa. Para o delegado Luis Gustavo Timossi, os executores aparentemente tentaram eliminar testemunhas ao atirar também no barbeiro.
“A investigação, de extrema complexidade, exigiu o cruzamento analítico de diversos dados e informações coletados no curso das diligências, com análise de imagens obtidas através do sistema viário Muralha Digital, de câmeras de segurança e de perícias realizadas”, detalhou Timossi. O delegado também especificou os papéis dos cinco presos:
- Um homem de 34 anos, identificado como organizador, com passagens por tráfico de drogas, porte ilegal de arma e lesão corporal;
- Um de 24 anos, responsável por fornecer ponto de apoio e o armamento, com histórico de homicídio, tráfico e receptação;
- Um de 27 anos, que monitorou o alvo e conduziu o veículo de fuga, com antecedentes por tráfico;
- Outros dois suspeitos, de 25 e 19 anos, com participação ainda sob investigação;
Os nomes não foram divulgados. Além dos mandados de prisão temporária, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos. Os objetos apreendidos serão analisados para conclusão do inquérito.
Impacto na família
Osvaldina Moll desabafou: “É muito difícil. Não tenho mais vida. Ele era meu companheiro, meu parceiro.” Ela espera que a justiça seja feita. O caso segue sob investigação, e a polícia não descarta novas prisões.



