Drone do tráfico no Rio é cópia da guerra na Ucrânia, diz secretário
Drone do tráfico no Rio é cópia da guerra, diz secretário

O secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, afirmou que a utilização de drones para lançar explosivos na guerra da Ucrânia influenciou diretamente as táticas do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Durante o seminário “Caminhos do Rio”, promovido pelos jornais O GLOBO e Extra, Santos destacou que a facilidade de compra desses equipamentos pela internet permitiu que criminosos adaptassem a tecnologia para disputas territoriais.

Inspiração ucraniana e criatividade criminosa

“Isso (o uso de drones pelo tráfico) é copiado. A tecnologia com essa sofisticação (da guerra na Ucrânia) ainda não chegou aqui ao Rio. Mas para o mal há uma criatividade. É fácil comprar pela internet essas ferramentas. Colocar artefatos explosivos era questão de tempo e foi o que aconteceu”, declarou o secretário.

Santos ressaltou que, enquanto os criminosos obtêm drones com facilidade, o Poder Público enfrenta entraves burocráticos para adquirir equipamentos de neutralização. “Os estudos estão caminhando, mas não é fácil porque existem tecnologias de todo o tipo. São muitas questões”, alegou, mencionando que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) realiza levantamentos sobre o tema.

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Doação de antidrones para o Bope

Daniel Hirata, assessor especial do Ministério da Justiça e Segurança Pública, revelou que o governo federal doará dois modernos equipamentos antidrone ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Rio, dentro do Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Os aparelhos, previstos para chegar até o fim do ano, são capazes de identificar a localização do operador e interceptar o drone em pleno voo.

Onda de ataques com drones no Rio

O uso de drones pelo crime já é realidade no estado. Segundo levantamento do GLOBO, pelo menos sete explosões de artefatos lançados por drones ocorreram desde março. Na madrugada de ontem, moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte, relataram um forte estrondo na Chatuba durante intenso tiroteio com balas traçantes. Uma piscina foi atingida e uma bomba perfurou o telhado de uma residência. Também houve relatos de explosão no Morro do Sereno.

No sábado passado, duas pessoas que montavam brinquedos em uma festa infantil de rua ficaram feridas após uma bomba lançada por drone na Favela do Dourado, em Cordovil. Os ataques se intensificaram nos últimos três meses, coincidindo com o agravamento das disputas territoriais entre facções.

Investigação e resposta do poder público

A polícia investiga o caso mais recente, que pode ser o oitavo ataque com drone no período. A secretaria de Segurança não detalhou as medidas em curso, mas o secretário Victor Santos afirmou que os estudos para aquisição de contramedidas estão em andamento. A doação federal de antidrones representa um primeiro passo para reforçar a capacidade de resposta das forças de segurança.

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