Documentos do IML do Rio são analisados em busca de vítimas da ditadura
Documentos do IML do Rio são analisados para achar vítimas

Técnicos iniciaram no início deste mês a análise da primeira leva de documentos do antigo Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro, localizado na Lapa. O acervo contém registros que podem fornecer pistas sobre mortos e desaparecidos durante a ditadura militar brasileira (1964-1985).

Acervo histórico sob análise

Os documentos, que estavam armazenados no antigo IML, foram retirados do local e agora passam por um processo de digitalização e análise. A iniciativa busca identificar possíveis vítimas do regime militar, cujos corpos passaram pelo instituto sem identificação adequada ou com registros falsos.

Segundo informações da coluna do Ancelmo Gois, do jornal O Globo, a primeira leva de documentos já está sendo examinada por uma equipe técnica. O trabalho é delicado e envolve a verificação de laudos, fichas de necropsia e outros registros que possam conter indícios de mortes não naturais ou de identidades ocultadas.

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Contexto da ditadura militar

Durante a ditadura, o IML do Rio foi um dos locais para onde eram encaminhados corpos de opositores políticos mortos sob custódia do Estado. Muitos desses corpos eram entregues às famílias com atestados de óbito falsos, dificultando a localização dos desaparecidos. A análise dos documentos pode ajudar a esclarecer casos de pessoas que nunca foram encontradas.

A Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos, estima que 434 pessoas morreram ou desapareceram por ação do Estado durante o regime militar. No entanto, organizações de direitos humanos apontam que o número pode ser maior, com casos ainda não documentados.

Importância da iniciativa

“A análise desses documentos é fundamental para que possamos dar respostas às famílias que ainda buscam por seus entes queridos”, afirmou uma fonte ligada ao projeto, que preferiu não se identificar. “Cada ficha, cada laudo pode conter uma pista que leve à verdade.”

A digitalização dos documentos também visa preservar o acervo histórico, que corre risco de deterioração. O material será disponibilizado para consulta pública após concluída a análise, permitindo que pesquisadores e familiares tenham acesso às informações.

Próximos passos

A equipe técnica continuará analisando os documentos nas próximas semanas. A expectativa é que novos lotes sejam avaliados ao longo do ano. O trabalho conta com o apoio de historiadores, médicos legistas e especialistas em documentação.

Iniciativas semelhantes já ocorreram em outros estados, como São Paulo e Pernambuco, onde documentos de institutos médicos legais ajudaram a identificar vítimas da ditadura. No Rio, o processo é visto como um passo importante para a reconciliação histórica e o direito à memória.

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