Uma operação envolvendo logística especializada e articulação entre órgãos ambientais de diferentes estados permitiu a transferência de 70 jabutis-piranga da Praça Euclides Romanini, em Adamantina (SP), para o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres de São Paulo (Cetras-SP). A população de jabutis no local chegou a 250 animais, número muito acima da capacidade da praça, devido à soltura e fuga de répteis mantidos irregularmente em cativeiro.
Prioridade para fêmeas e redução da reprodução
De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente de Adamantina, dos 180 jabutis que ainda aguardam transferência, a prioridade são as fêmeas, para diminuir a reprodução no local. Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão para a remoção desses animais. Eles permanecem na praça, em área isolada, fechada e monitorada, onde recebem cuidados diários. "São disponibilizados verduras, legumes e frutas diariamente. Temos uma pessoa que cuida da praça, do cuidado e alimentação dos animais", afirmou Eder Bonfain, secretário da pasta.
Logística complexa para receber os animais
Para receber os 70 jabutis de Adamantina, o Cetras-SP precisou enviar outros 80 jabutis já reabilitados para a Reserva Santa Sofia, em Mato Grosso do Sul. Somente com a abertura dessas vagas foi possível acolher o primeiro lote do interior paulista. "O manejo é fundamental, porque os jabutis mantidos na praça vivem fora de sua área de ocorrência natural e em um ambiente urbano que não oferece as condições adequadas para a espécie", destacou a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
Procedimentos no Cetras-SP
Após a chegada ao Cetras-SP, os jabutis passam por avaliação clínica, exames sanitários, identificação individual, acompanhamento veterinário e demais procedimentos técnicos necessários. Esse protocolo define a destinação mais adequada para cada exemplar. "A transferência dos animais do município integra um trabalho realizado de forma gradual, conforme a disponibilidade de vagas no Cetras-SP", informou a Semil.
Repatriação para áreas de origem
Como o jabuti-piranga não ocorre naturalmente no estado de São Paulo, sua destinação frequentemente envolve processos de repatriação para áreas de ocorrência natural da espécie, como as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste. O Cetras-SP atende cerca de 10 mil animais silvestres por ano, vítimas de tráfico, cativeiro irregular, atropelamentos, queimadas e entregas voluntárias. "Esse trabalho exige logística especializada, articulação entre órgãos ambientais de diferentes estados, disponibilidade de instituições aptas ao recebimento e transporte especializado para carga viva", reforçou a Semil.
Causas da proliferação em Adamantina
A proliferação dos jabutis na Praça Euclides Romanini decorre principalmente do abandono da espécie por moradores ao longo de muitos anos. Somado a isso, ocorreu a reprodução natural entre os animais já existentes no local, contribuindo para o aumento gradual da população. Na região Sudeste, a espécie nativa é o jabuti-tinga (Chelonoidis denticulata), de coloração amarelada na cabeça e nas patas. Dos 70 jabutis já transferidos, as idades variam entre um e 40 anos.



