Deputada relata agressão durante intervenção em briga
A deputada estadual Dani Portela (PT) afirmou que foi agredida por um policial militar durante uma confusão no show de encerramento do São João do Recife, no Pátio de São Pedro, bairro de São José, na noite da segunda-feira (29). Em entrevista ao g1, a parlamentar disse que defendia uma mulher negra que havia sido agredida por outro homem quando um efetivo da Polícia Militar chegou para intervir. Segundo ela, um dos PMs deu um tapa no peito e um empurrão nela, enquanto outro agente desferiu um murro no rosto de uma terceira mulher.
Racismo e abordagem policial
Dani Portela criticou a abordagem dos policiais: "O racismo é tão perverso que ele olhou para mim e nem me identificou como uma deputada, me viu como mais uma daquelas pessoas que ele já julgou que eram culpadas." A parlamentar afirmou que o grupo de policiais, descritos como "laranjinhas" jovens, entraram em confronto direto com as mulheres e jovens negros que estavam defendendo a vítima.
Relato da ativista Lilian Araújo
A mulher agredida inicialmente, identificada como Lilian Araújo, coordenadora nacional do Levante Popular da Juventude, contou que tentou separar uma briga entre um homem e outra mulher, levando um soco no rosto. Quando a polícia chegou, ela também foi empurrada e agredida com murros. "A gente decidiu mandar todo mundo para casa para relaxar os ânimos e pensar o que a gente ia fazer de uma forma mais coletiva", disse Lilian.
Medo de denunciar
A deputada afirmou que as outras vítimas optaram por não registrar boletim de ocorrência naquele momento por medo de represálias. "Ali tinha dezenas de pessoas que testemunharam e as pessoas estavam com medo de ir. Essa é a questão. Eu sou deputada, eu vou denunciar, a polícia pode ser cobrada... mas e aquelas meninas que vão voltar para a favela?", declarou. A senadora Teresa Leitão (PT) manifestou solidariedade a Dani Portela nas redes sociais.
Posicionamento da SDS
A Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que não localizou registro do caso até o momento e determinou a instauração de um procedimento preliminar para apuração dos fatos. A SDS reforçou os canais de denúncia: presencialmente na Corregedoria (Avenida Conde da Boa Vista, 428, Boa Vista), pelo telefone/WhatsApp (81) 3184-2714, ou pelo e-mail denuncia@corregedoria.sds.pr.gov.br.



