O dentista Samir José de Azevedo Costa Ayoub, de 44 anos, preso suspeito de exercer ilegalmente funções ligadas à medicina e odontologia estética em São João da Boa Vista (SP), foi solto na audiência de custódia nesta quinta-feira (30). Durante a Operação Jaleco Falso, deflagrada pela Polícia Civil na quarta-feira (29), foram encontrados medicamentos usados para emagrecimento, além de remédios sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ilícitos e vencidos na residência e clínica do dentista.
Liberdade provisória com fiança
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) confirmou que, durante a audiência de custódia de Samir, foi concedida a liberdade provisória a ele, mediante pagamento de fiança arbitrada em 20 salários mínimos, totalizando R$ 32.420. Além disso, o juiz impôs medidas cautelares, incluindo a proibição de realizar, prescrever ou divulgar procedimentos estéticos invasivos e cirúrgicos alheios à odontologia; proibição de reabrir o estabelecimento interditado; manutenção de endereço atualizado no processo; e proibição de ausentar-se do país.
Operação Jaleco Falso
Policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) receberam uma denúncia de que o dentista realizava procedimentos cirúrgico-estéticos, veiculados em redes sociais, sem habilitação. O delegado Davi Basilio Batista Ferreira representou à Justiça por busca e apreensão nos imóveis, pedido acolhido pelo juiz. Na quarta-feira, foi deflagrada a operação. Durante as buscas no imóvel do dentista, no bairro Jardim Guanabara, os policiais encontraram medicamento 'Tirzepatida' (nome 'Tirzec 15') sem registro na Anvisa, além de 'Wegovy' e 'Mounjaro'. Também foram localizados um celular com informações sobre negociação de remédios vindos do Paraguai e tratativas de procedimentos estéticos.
Exercício ilegal da medicina
Os policiais foram à clínica do dentista, no bairro Jardim Santo André, acompanhados de fiscais da Vigilância Sanitária. Apesar de Samir apresentar-se como dentista, não foram encontrados instrumentos, insumos ou prontuários odontológicos. Em contrapartida, foram achados prontuários de procedimentos estéticos recentes como blefaroplastia, facelifting e lipoaspiração, caracterizando exercício ilegal da medicina. Em um notebook, identificaram que Samir realizava procedimentos nos glúteos. Em uma mesa, foram encontrados cinco medicamentos vencidos, três remédios de laboratório estrangeiro sem registro na Anvisa, frascos sem informação e uma caixa com bioestimulador de colágeno que ele não poderia aplicar sem especialização.
Materiais cirúrgicos e interdição
Os agentes também encontraram um livro de cirurgia plástica, jaleco e tocas cirúrgicas com descrição de cirurgião plástico em nome do indiciado, além de estetoscópio. Em um cômodo, havia frascos de anestesia cirúrgica, bisturis, afastador cirúrgico, aspirador portátil e outro frasco de medicamento sem informação. Tesouras, bisturis, pinças cirúrgicas e cânulas aguardavam esterilização, mas não foram apreendidos por risco de contaminação, apenas fotografados. Os fiscais da Vigilância Sanitária lavraram auto de infração por ausência de licença e interditaram totalmente a clínica até regularização. Medicamentos, insumos, celular e notebook foram apreendidos pela polícia. Samir foi conduzido ao pronto-socorro e depois à delegacia, permanecendo à disposição da Justiça até a audiência de custódia.
Ao ser questionado, Samir disse à polícia que era formado em medicina na Bolívia e odontologia no Brasil, mas não apresentou confirmação da formação como médico nem de especialização para procedimentos estéticos, conforme exigência do Conselho Federal de Odontologia (CFO). O g1 entrou em contato com o advogado Luis Carlos Pereira, que representa o dentista, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.



