A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) do Rio de Janeiro investiga a criação e divulgação de uma lista online que classificava 65 alunas do 9º ano do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, com categorias sexuais depreciativas. A mãe de uma das vítimas, de 14 anos, contou ao g1 que a filha descobriu a lista ao digitar o próprio nome em um buscador na internet.
Descoberta e reação das vítimas
Segundo a mãe, a adolescente estava brincando com amigas de jogar o nome no Google quando se deparou com o site. "Ela contou de uma forma bem incrédula, acho que ela ficou sem entender quem poderia ter feito isso com ela. Ficou com raiva e incrédula", relatou. A aluna foi uma das sete que prestaram depoimento na Dcav na quinta-feira (9). A mãe classificou o caso como "violência imensa" e disse que a filha voltou ao psicólogo, mas está "razoavelmente bem". No entanto, outras vítimas reagiram pior: "Tem menina que reagiu muito mal, que não quer mais ir para a escola, que está envergonhada".
Alcance e responsabilização
A mãe alertou para o impacto amplificado pelas redes sociais: "Todo mundo no Rio de Janeiro está falando disso, o sobrenome da minha filha está circulando. Acho que a exposição nas redes sociais fez com que a escala da violação fosse muito maior". Ela defendeu a responsabilização dos autores e dos pais omissos: "Tem aí uma responsabilização dos pais que estão sendo omissos, ou que não estão monitorando o celular dos filhos". A delegada Maria Luiza Machado, da Dcav, afirmou que casos como esse têm crescido: "A gente vê realmente que ultimamente o volume desse compartilhamento tem crescido. E as vítimas se tornam cada vez mais vulneráveis, não só pela idade, mas também pelo gênero".
Investigação e depoimentos
O diretor do Colégio Cruzeiro foi ouvido na Dcav na quarta-feira (8) e afirmou que a escola apura internamente a autoria. A delegada explicou que as vítimas passam por depoimento especial para evitar revitimização: "A gente, de fato, tem uma cautela específica, tem um setor específico para depoimento especial para que a gente consiga ouvir essas vítimas de forma a não revitimizá-las". Os depoimentos são colhidos por policiais especializados, com os pais muitas vezes também ouvidos.
Conteúdo da lista e crimes
A lista, criada em uma plataforma online de tierlist, incluía categorias como 'GOAT' (melhor de todos os tempos), 'Comeria no lucro', 'Bêbado vai', 'Me arrependi depois' e 'Nem olharia'. Os investigados, todos menores de idade, responderão por crimes análogos a injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame e constrangimento. Outros crimes podem ser incluídos se houver provas de ameaças ou agressões psicológicas.
Posição do colégio
O Colégio Cruzeiro afirmou em nota que registrou boletim de ocorrência, exigiu a remoção do conteúdo da plataforma — já realizada — e ofereceu apoio integral às alunas e famílias. A escola destacou que promove campanhas de conscientização sobre ética e responsabilidade digital com palestras de juízes, psicólogos e delegados. "Nossa postura reflete a tradição e os valores de uma instituição que, ao longo de seus 164 anos, formou gerações pautadas pelo respeito e pelo desenvolvimento humano integral", concluiu a nota.



