Uma cuidadora de idosos de 53 anos, presa na última quinta-feira (16) suspeita de desviar cerca de R$ 100 mil de uma paciente acamada para gastar em apostas online, foi solta nesta sexta (17) após audiência de custódia. O caso ocorreu em Eunápolis, extremo sul da Bahia. A Justiça concedeu liberdade provisória à mulher, cuja identidade não foi divulgada, e o alvará de soltura foi cumprido no mesmo dia, conforme a TV Santa Cruz, afiliada da TV Bahia.
Crime sem violência e ré primária justificam soltura
Para a Justiça, a prisão foi legal, mas como se trata de crime sem violência e a mulher não é reincidente, o juiz concedeu o benefício de responder em liberdade. Ela atuava como cuidadora da vítima há cerca de dois anos.
Fraude em apps bancários e confissão
De acordo com a Polícia Civil, o crime foi descoberto por parentes da idosa, que vive acamada devido a um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Eles notaram extratos de transferências bancárias incompatíveis com o estado de saúde da vítima. A investigação revelou que a cuidadora se aproveitava do livre acesso à residência, no bairro Itapuã, e da incapacidade de locomoção da idosa para realizar transferências via PIX para sua própria conta. Além disso, fraudava o sistema de segurança dos aplicativos bancários usando o rosto da idosa no reconhecimento facial para obter empréstimos consignados sem autorização. Ela confessou as práticas ilícitas, alegando vício no 'jogo do tigrinho'. Durante a ação policial, foram apreendidos um celular e o cartão magnético de aposentadoria da idosa, usado pela cuidadora para compras pessoais. O cartão foi entregue ao sobrinho que representa a vítima em cartório.
Crimes investigados e contexto da ludopatia
A cuidadora será investigada por apropriação de bens ou rendimentos de pessoas idosas e retenção de cartão magnético de conta bancária. O vício em jogos de azar, conhecido como ludopatia, é uma doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), caracterizada pelo desejo incontrolável e compulsivo de apostar. Na Bahia, o caso da auditora Juliana Prates, que perdeu o irmão Otacílio Prates para o vício, chamou atenção. Ele tirou a própria vida em dezembro de 2025 após contrair dívida de aproximadamente R$ 1,5 milhão em cerca de dois anos jogando. 'Só descobri que meu irmão estava viciado em apostas quando ele morreu', lamentou Juliana, auditora do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA). Em Salvador, o grupo 'Jogadores Anônimos' acolhe viciados há 18 anos, com reuniões na Pituba. O primeiro contato pode ser feito pelo telefone (71) 98624-0512.



