Cremero investiga médicos por laqueadura sem autorização em RO
Cremero investiga laqueadura sem autorização em RO

O Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero) instaurou um processo ético-profissional para apurar a conduta de três médicos após a denúncia de uma mulher que alega ter sido submetida a uma laqueadura sem autorização durante um parto na Maternidade Municipal de Ji-Paraná (RO). O caso ocorreu em 2021.

Denúncia e investigação

Segundo o casal, a laqueadura foi realizada durante uma cesariana sem o consentimento deles. Eles afirmam que o médico responsável disse que faria o procedimento mesmo sem autorização. A conselheira Andrea Barbieri de Barros, após analisar a denúncia e documentos, concluiu que há indícios suficientes para investigar os médicos Eliedson Vicente de Almeida, Jozelida Bitencour Miranda da Silva e Geraldo Carvalho de Alencar.

A abertura do processo não implica culpa, apenas que há elementos para aprofundar a investigação sobre possível infração ao Código de Ética Médica.

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Versão dos médicos

Em documento enviado ao conselho, Jozelida Bitencour Miranda da Silva informou que participou da cirurgia como auxiliar. Segundo ela, a paciente, de 42 anos, apresentava quadro grave de pré-eclâmpsia, o que levou o obstetra a optar pela laqueadura. Já Eliedson Vicente de Almeida afirmou que a paciente chegou com pressão arterial muito alta, exigindo cesariana de urgência. Ele alegou que a laqueadura foi decidida durante a cirurgia devido ao estado de saúde, idade e riscos de futura gravidez, e que a paciente concordou verbalmente, mas não assinou autorização por causa da urgência.

Quanto a Geraldo Carvalho de Alencar, o relatório do Cremero apontou possível falha no preenchimento do prontuário, com falta de informações sobre queixas, exame físico e conduta adotada.

Reação do casal

O pai da criança, Fabio Rodrigues dos Santos, disse ao g1: "A gente descobriu agora que além dele vão mais três médicos. Essa foi a novidade para nós. O que esperamos é que o caso seja analisado com todo o rigor, porque o impacto disso na nossa família foi muito grande." Ele acrescentou: "A gente espera que a Justiça reconheça a gravidade do que aconteceu. Foi um dano muito sério para a nossa família e principalmente para a minha esposa, porque nós planejávamos ter outro filho."

Silvanei Alves Pereira, a paciente, afirmou: "A gente fica muito triste com tudo isso. É uma situação que marcou a nossa vida. Nós queríamos ter outro filho e até hoje carregamos esse sofrimento."

Detalhes do caso

Segundo o casal, Silvanei entrou em trabalho de parto e foi levada à maternidade com fortes dores. O marido foi impedido de acompanhar o atendimento. A paciente relata que foi informada de que teria parto normal, mas acabou submetida a cesariana. Fabio afirma que o médico saiu da sala e gritou no corredor: "Eu vou laquear a sua esposa."

No processo, Eliedson afirmou que a paciente chegou com pré-eclâmpsia grave e em trabalho de parto, e que a conduta indicada era cesariana de urgência. Ele também alegou que a paciente foi informada sobre os riscos de nova gestação.

Condenação judicial

Em 2025, a Justiça de Rondônia condenou Eliedson Vicente de Almeida a dois anos de reclusão, além de 10 dias-multa (R$ 404). A pena foi fixada em regime aberto, substituída por restrições de direitos: proibição de frequentar bares e estabelecimentos similares e prestação de serviços à comunidade. A condenação baseou-se no artigo 15 da Lei nº 9.263/96, que prevê pena de dois a oito anos para esterilização sem autorização. Cabe recurso. A defesa do médico informou que não se pronunciará sobre a condenação.

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