A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo instaurou procedimento para apurar a citação do delegado Fábio Pinheiro Lopes, ex-diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em uma investigação da Polícia Federal sobre suposta lavagem de R$ 10 bilhões do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Menção em documento judicial
Um documento da Justiça Federal obtido pela reportagem revela que, durante conversas monitoradas, investigados discutiram o envio de R$ 100 mil ao delegado, referido como "Fabio Caipira do Deic". A menção consta em um dos anexos do inquérito que apura o esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa.
Segundo a investigação, o valor seria destinado ao delegado em troca de supostos favores. A defesa de Fábio Pinheiro Lopes nega qualquer envolvimento e afirma que o delegado nunca recebeu valores ilícitos.
Afastamento e transferência
Em decorrência das suspeitas, Fábio Pinheiro Lopes foi afastado do cargo de diretor do DEIC e atualmente está lotado no Departamento de Operações Policiais (DOPE), onde exerce funções administrativas. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que está apurando os fatos e adotará as medidas cabíveis.
O delegado, que possui mais de 20 anos de carreira, já respondeu a outras sindicâncias internas, mas nunca foi condenado por irregularidades. A Corregedoria agora analisa se há elementos suficientes para abertura de processo disciplinar.
Repercussão e próximos passos
A investigação corre em sigilo, mas fontes da Polícia Civil afirmam que a menção ao delegado gerou desconforto na corporação. O caso também é acompanhado pelo Ministério Público Estadual, que pode solicitar o compartilhamento das provas com a Justiça Federal.
O PCC é alvo de diversas operações policiais nos últimos anos, e a lavagem de dinheiro é um dos principais mecanismos de sustentação financeira da facção. Estima-se que o grupo movimente bilhões de reais anualmente em atividades ilícitas.



