Ceará: Governo tem novos nomes de suspeitos de plantio de 290 mil pés de maconha
Governo do Ceará tem novos nomes de suspeitos de plantio de maconha

A Polícia Civil do Ceará já possui novos nomes de possíveis envolvidos com a plantação de 290 mil pés de maconha encontrada em Acopiara, e agora aguarda decisões judiciais para deflagrar novas ações, conforme informações repassadas pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), nesta terça-feira (7). Até então, a única prisão relacionada ao caso foi a do proprietário do terreno, João Holanda Neto, detido temporariamente no dia 2 de julho. Familiares afirmam que o verdadeiro responsável pela droga é Cristiano Rodrigues de Lima, que arrendou a área em 2025. João Holanda foi solto no dia seguinte, enquanto Cristiano está foragido.

Descoberta da plantação e fuga dos suspeitos

A droga foi descoberta durante uma operação no dia 25 de junho. Quando divulgou a ação, a Polícia Civil informou ter descoberto a área de plantio e também um acampamento usado pelos suspeitos, que fugiram com a chegada dos policiais. Em um dos pontos, os agentes acharam até feijão cozinhando em uma panela, o que indicava que a saída dos criminosos era recente.

Polêmica política e investigação

A apreensão, uma das maiores da história do estado, tornou-se alvo de polêmica política e investigação policial após uma denúncia do deputado federal André Fernandes (PL) de que o local havia sido abandonado pelos policiais com as drogas ainda lá, sem haver a incineração da maconha, como determina a legislação. À época, a Polícia Civil chegou a divulgar um vídeo da plantação de maconha sendo derrubada por tratores e incinerada no próprio local. Dois dias depois da denúncia de Fernandes, o governador Elmano de Freitas visitou a fazenda acompanhado dos chefes das forças de segurança estaduais. Ele disse que a plantação seria destruída e a conduta dos agentes investigada.

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Exoneração de delegados

Os delegados da Polícia Civil Vicente de Paula Rodrigues, responsável pela delegacia de Acopiara, e Marcos Sandro Nazaré de Lira, delegado da 4ª Seccional do Interior Sul, foram exonerados dos cargos de chefia que ocupavam. Eles são alvos de investigação devido à conduta na ocorrência. A exoneração retira ambos dos cargos de chefe, mas eles não perdem os cargos de policiais civis.

Investigação da Controladoria Geral de Disciplina

A Controladoria Geral de Disciplina do Ceará (CGD) abriu uma investigação para apurar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação do sítio onde a plantação de maconha estava sendo cultivada. Os advogados Leandro Vasques e Seledon Dantas, que representam a assessoria jurídica da Associação dos Delegados de Polícia do Ceará (Adepol-CE), consideraram a instauração do processo administrativo disciplinar como “completamente precipitada e desarrazoada”. “Lamentamos, por demais, que se queira adotar essa toada a um caso tão sensível como esse. Tal contexto não condiz com a imparcialidade e com aprofundamento que deveriam nortear as investigações, pessoalizando em duas autoridades policiais um problema de natureza ampla e institucional. Ademais, a espetacularização em torno do caso, que arrasta a investigação para o pelourinho da praça pública, atende não aos ideais de Justiça, mas a antecipação prudente de conclusões”, complementou a defesa dos delegados.

Na exoneração dos delegados, a Polícia Civil fundamentou a decisão na Lei nº 13.441, de 29 de janeiro de 2004, que dispõe sobre o processo administrativo-disciplinar aplicável aos policiais civis de carreira do Ceará. “O policial civil de carreira que estiver respondendo a processo administrativo-disciplinar fica impedido de permanecer em cargo comissionado ou de ser nomeado para assumir cargo comissionado ou função de chefia de qualquer natureza em órgão da Administração Pública Estadual, enquanto durar o julgamento do processo administrativo disciplinar”, diz o texto da legislação. Em nota, a Polícia Civil explicou que a exoneração "trata-se, portanto, de efeito legal automático e temporário, não de antecipação de julgamento de mérito". Conforme a corporação, os delegados permanecem em atividade, mas fora das funções de chefia.

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Incineração concluída, segundo a Polícia

No dia 3 de julho, o deputado André Fernandes contou ter voltado à fazenda no dia 2 de julho e não ter encontrado nenhum policial no local. Na sequência, ele escavou uma área do terreno e encontrou os pés de maconha enterrados, alegando que mais uma vez a droga não tinha sido incinerada. A Polícia Civil, por sua vez, respondeu ter concluído a operação de destruição e incineração controlada da plantação de maconha, afirmando que o material encontrado por André Fernandes são restos da referida plantação e de outras plantas do terreno destruídas. "Claramente, se vê que não é maconha. Quem não entende acha que isso aqui é maconha. A maconha não é feita de raízes. O material da maconha está devidamente queimado e destruído", disse o delegado Pedro Viana, diretor do Departamento de Polícia do Interior Sul. "Precisa que se entenda que a área era muito extensa, a maconha ainda estava verde. Foram feitos buracos onde, de forma controlada, a equipe do Corpo de Bombeiros orientou que fosse feito esse buraco", complementou o delegado.

A corporação disse ainda que a técnica utilizada pelo Corpo de Bombeiros para incinerar a droga consiste em cavar valas e queimar as plantas com o uso de gasolina e óleo diesel. Em seguida, o material é encoberto com a terra, evitando dessa forma que o fogo se alastre para a vegetação ao redor.

Apreensão sob polêmica e ações legais

Na última semana, a apreensão se tornou o centro de uma polêmica e alvo de uma investigação policial após uma denúncia do deputado André Fernandes de que o local - ainda com as drogas ensacadas e os pés de maconha plantados - havia sido abandonado pelos policiais, e não incinerada. Após a denúncia de André Fernandes, no fim de junho, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que iria investigar a denúncia de "falha nos procedimentos na custódia". A pasta quer saber o motivo da droga ter sido mantida na área com os pés de maconha ainda plantados, sem segurança para preservar o local. Conforme a legislação brasileira, drogas apreendidas sem a ocorrência de prisão em flagrante devem ser destruídas por incineração, no prazo máximo de 30 dias contados da data da apreensão. A legislação também determina a delimitação do local, "asseguradas as medidas necessárias para a preservação da prova".

O Partido Liberal (PL) informou que vai acionar o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) requerendo "a apuração dos novos fatos, a preservação das provas, a identificação de todos os agentes públicos envolvidos e a apresentação da íntegra dos documentos oficiais relativos à operação". O partido informou ainda que vai avaliar a abertura de uma ação de improbidade administrativa contra o governo estadual, "caso as investigações confirmem que agentes públicos, no exercício de suas funções, deliberadamente deixaram de observar os deveres legais e funcionais impostos pela legislação". Na manhã do dia 29 de junho, André Fernandes informou que protocolou a denúncia sobre a plantação de maconha na Polícia Federal. Ao ser procurada pelo g1, a PF informou que "não comenta investigação em andamento".