Corpo encontrado em Angra dos Reis pode ser de cozinheira desaparecida
Corpo em Angra pode ser de cozinheira desaparecida

A Polícia Civil de São Paulo localizou, na tarde desta sexta-feira (17), um corpo feminino em uma região de mata na localidade de Serra d'Água, às margens da Estrada de Lídice, em Angra dos Reis (RJ). Os investigadores acreditam que a vítima seja a cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, desaparecida desde o fim de junho em Ubatuba (SP).

Localização do corpo e suspeitas

De acordo com o delegado André Luiz Matera Costilhas, a principal linha de trabalho da polícia é que o corpo seja o da cozinheira. A suspeita se baseia no fato de que o local da descoberta fica dentro da área delimitada pela investigação, a partir do trajeto percorrido pelo veículo da patroa de Berenice, Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, que foi presa por ser suspeita de ter cometido o crime. A confirmação oficial da identidade dependerá dos exames periciais que serão realizados após a remoção.

O cadáver foi localizado em um trecho de difícil acesso da mata. Segundo os investigadores, a vítima estava presa a uma árvore em uma área íngreme, o que dificultou a aproximação das equipes que participam das buscas. Por causa das condições do terreno, os policiais acionaram o Corpo de Bombeiros, que deve realizar a retirada utilizando técnicas de rapel. Somente após o resgate será possível iniciar os procedimentos de perícia e identificação.

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Vestígios de sangue na caminhonete

Mais cedo, a apuração ganhou novos elementos após a polícia confirmar a presença de vestígios de sangue na caminhonete de Eliane. Com o apontamento feito pelos cães, os peritos que atuam na investigação utilizaram luminol no veículo e foi constatado que havia sangue na caminhonete, sendo que a maior concentração foi encontrada no banco do carona. O luminol é um reagente químico utilizado pela Polícia Científica para detectar vestígios de sangue invisíveis a olho nu. Ao ser borrifado, caso haja sangue no local, o líquido fica com um brilho azul fluorescente. Ambos os laudos da Polícia ainda não foram finalizados. A expectativa é que eles sejam concluídos nos próximos dias.

Áudio do filho e contradições

Nesta semana, um áudio do filho de Berenice, José Carlos de Faria, à Eliane foi divulgado. No áudio, o filho cobra explicações da patroa sobre os últimos momentos antes do sumiço da mãe. Na gravação, obtida pela Rede Vanguarda, e que não faz parte da investigação policial, José Carlos pergunta: "O que aconteceu? Porque minha mãe sumiu." A patroa responde: "Ela não chegou ainda? Ela saiu daqui falando que ia para Toninhas. Ela tinha um trabalho lá." O filho insiste: "Mas, o que houve? Aconteceu alguma coisa? Vocês discutiram? Aconteceu alguma coisa mais séria? Abre o jogo. Eu queria entender, na realidade, o que aconteceu de fato, porque estamos preocupados. Acionei a polícia."

Em resposta, a patroa diz que não sabia que Berenice tinha um filho e se oferece para mostrar onde ela ficava. A mulher também fala que a cozinheira levou tudo do local. Ao longo da conversa, o filho relata a angústia da família por não conseguir contato com Berenice desde o desaparecimento. "É muito estranho. Se ela tivesse perdido o celular ou acontecido alguma coisa, ela pediria para alguém mandar mensagem para avisar. Até agora a gente não tem sinal dela. Desde terça-feira", diz.

Investigação e prisão da patroa

O áudio foi gravado no início das buscas por Berenice, antes dos desdobramentos da investigação que levaram à prisão temporária da patroa. A Polícia Civil investiga a empresária por suspeita de homicídio e aponta contradições entre a versão apresentada por ela e as evidências reunidas durante o inquérito. Na terça-feira (14), o g1 mostrou que imagens de câmeras de segurança e registros de radares reforçam as inconsistências no depoimento da investigada. Em um primeiro momento, ela afirmou que deixou Berenice no bairro Toninhas. Depois, disse que a cozinheira desembarcou no trevo de Ubatumirim e seguiria sozinha para o bairro. À polícia, também declarou que voltou para casa após a carona. Segundo os investigadores, no entanto, imagens mostram que a caminhonete da empresária passou pela Estrada do Pasto Grande e seguiu em direção a Paraty (RJ), contrariando o depoimento.

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Durante o cumprimento dos mandados, o veículo foi encontrado com marcas de reparos compatíveis com danos provocados por disparos de arma de fogo. A polícia também apreendeu três armas registradas e dois celulares na casa da suspeita. Berenice desapareceu no dia 30 de junho, após sair do restaurante onde trabalhava. Até a publicação desta reportagem, ela não havia sido localizada. A defesa da patroa de Berenice foi procurada pelo g1, mas disse que só irá se manifestar após ter acesso ao processo.