A Polícia Civil confirmou nesta quinta-feira (23) que o corpo do empresário Marcelo Magalhães de Almeida, de 31 anos, foi localizado no córrego Rio Cotia, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. O empresário estava desaparecido desde 16 de julho e as buscas pelo corpo completaram sete dias, iniciadas na sexta-feira (17). Marcelo foi vítima de um sequestro seguido de morte, orquestrado por um grupo liderado por seu amigo Lucas Soares de Lima, conhecido como 'Quadrado'.
Crime planejado por amigo próximo
De acordo com a investigação, Lucas Soares de Lima, mentor do crime, teria atraído Marcelo para o local do sequestro com a ajuda de seu irmão, Paulo Sérgio Soares de Almeida, e do amigo Júlio César Moura Batista. Os três estão presos por homicídio qualificado. A polícia ainda procura um quarto suspeito de participação na ação. Câmeras de segurança do prédio onde Marcelo morava, em Carapicuíba, mostraram ele saindo de casa sozinho, de carro, na noite de quinta-feira (16). O veículo blindado foi posteriormente abandonado por um desconhecido, que fugiu correndo.
Transferência de R$ 8 mil e extorsão
Segundo a polícia, os criminosos transferiram R$ 8 mil das contas de Marcelo antes de matá-lo. Testemunhas relataram que Lucas Soares de Lima vinha extorquindo dinheiro de Marcelo, exigindo presentes caros e até um apartamento, por saber de relacionamentos amorosos do empresário. A própria mãe de Lucas, Zemira Santos Soares, denunciou o filho à polícia. Ela contou que no dia 17 de julho, Paulo Sérgio foi até sua casa visitar a filha e começou a chorar, narrando que Lucas subtraía objetos pessoais dele e 'agora ele arrumou um problemão e quer arrastar todo mundo'.
Histórico de luto e trabalho social
Marcelo Magalhães era dono de uma loja de material de construção e sócio em 25% de uma empresa de demolição e aluguel de equipamentos para construção civil. Ele fundou o projeto 'Guiados por uma Estrela', que ajudava crianças com câncer, após perder a filha Lara Manuela, de apenas um ano, para a doença em 2021. A menina era fruto do relacionamento com a pedagoga Evellyn Dias, que depois fundou o Instituto Lara Manuela, voltado a projetos sociais para crianças com câncer. O tumor foi detectado aos nove meses pela avó, durante um banho, e evoluiu para metástase após um longo tratamento marcado por negligências médicas.
Investigação em andamento
Os três suspeitos presos devem responder por homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. A polícia segue em busca do quarto envolvido. As imagens de Marcelo em cativeiro, antes de morrer, também foram obtidas pela investigação.



