Após mais de nove meses de investigação e processo, Elizangelo Sousa da Silva, de 39 anos, foi condenado a 26 anos e um mês de prisão pelo assassinato de sua esposa, Elizete de Amorim Malveira, também de 39 anos. O crime ocorreu em 19 de outubro do ano passado, na residência do casal, localizada em Feijó, no interior do Acre. A sentença foi proferida em júri popular, conforme divulgado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC).
Detalhes da condenação
De acordo com o MP-AC, a pena foi fixada em 25 anos de reclusão pelo feminicídio, cometido em contexto de violência doméstica e familiar, acrescida de um ano e um mês pela posse ilegal de arma de fogo. Além disso, o réu deverá pagar 13 dias-multa. O processo tramita em segredo de Justiça, e a defesa de Elizangelo não foi localizada pelo g1 até o momento. Cabe recurso da decisão.
O crime chocou a pequena cidade de Feijó, localizada a cerca de 276 km de Cruzeiro do Sul. Elizete foi atingida por um disparo de espingarda durante uma discussão com o marido, na presença de um colega do casal. Segundo o delegado José Ronério, responsável pelas investigações, o crime ocorreu por volta das 18h50 do dia 19 de outubro. O primeiro atendimento foi realizado por policiais militares, que acionaram a Polícia Civil por volta das 19h30, após a confirmação da morte da vítima no local.
Fuga e prisão em flagrante
Após o disparo, Elizangelo fugiu levando a espingarda, utilizando uma motocicleta conduzida por um colega que presenciou o crime. As equipes da PM e da Polícia Civil iniciaram buscas imediatas. Durante as investigações, os policiais localizaram o homem que conduzia a moto. Em depoimento, ele relatou que estavam ingerindo bebidas alcoólicas quando começou uma discussão entre o casal, e que Elizangelo, armado com a espingarda, atirou contra a esposa. Outras testemunhas confirmaram a mesma versão.
Os policiais conseguiram encontrar o suspeito quando ele tentava fugir em um carro de aplicativo. Durante a revista pessoal, foram encontradas drogas e munições com Elizangelo. O material foi apreendido e ele foi conduzido à delegacia de Feijó, onde foi preso em flagrante. A prisão preventiva foi decretada ainda em outubro do ano passado.
Repercussão e compromisso do MP
O Ministério Público do Acre destacou, em nota, que "a atuação do Ministério Público no caso reforça o compromisso institucional com o enfrentamento à violência contra a mulher, a responsabilização dos autores de feminicídio e a defesa da vida e dos direitos das vítimas de violência doméstica e familiar". A condenação ocorre em um momento em que o Acre registra a maior taxa de feminicídios do país em 2025, com 14 casos somente neste ano.
O corpo de Elizete foi recolhido para o necrotério do Hospital Geral de Feijó Dr. Baba - Rosaldo Firmo de Aguiar França e, posteriormente, encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Cruzeiro do Sul, distante 276 km do local do crime. O caso ganhou repercussão local e nacional, evidenciando a gravidade da violência doméstica na região.
Contexto da violência doméstica
Este caso é mais um triste exemplo da realidade enfrentada por muitas mulheres no Acre e no Brasil. Dados do governo estadual indicam que o Acre tem a maior taxa de feminicídios do país em 2025, o que acende um alerta para a necessidade de políticas públicas efetivas de prevenção e proteção às vítimas. A condenação de Elizangelo representa um passo importante na responsabilização de agressores, mas especialistas alertam que é fundamental investir em educação, campanhas de conscientização e fortalecimento das redes de apoio às mulheres em situação de violência.
O g1 tentou contato com a defesa de Elizangelo, mas não obteve resposta. O réu permanece preso, aguardando os desdobramentos do processo. A sociedade de Feijó acompanha o caso com atenção, esperando que a justiça seja feita em memória de Elizete e de todas as vítimas de feminicídio.



