Duas amigas investigadas por homicídio culposo pela morte do ciclista Cleocir Jorge dos Santos, de 54 anos, em Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul, prestaram depoimento à polícia nesta segunda-feira (22). Elas aparecem em imagens paradas na ciclofaixa tirando fotos momentos antes de Cleocir perder o equilíbrio, cair e ser atropelado.
Depoimento das investigadas
De acordo com a delegada Daniela Minetto, as mulheres alegaram que não sabiam que a ciclovia era de uso exclusivo de ciclistas. "Alegaram que não tinham conhecimento que a ciclovia era de uso exclusivo de ciclistas e que, como o sol estava muito intenso ainda, antes de começar os exercícios, elas resolveram fazer essa tomada de imagens. Não negaram também que houve efetivamente uma colisão de uma delas com o ciclista e que, a partir disso, ele caiu", relatou a delegada.
A dupla passou o dia no município e decidiu realizar uma caminhada, que já era rotina. No depoimento, afirmaram que a intenção era praticar exercícios, mas, devido ao calor e sol forte, resolveram fazer algumas imagens antes. As amigas disseram que o ciclista não emitiu nenhum sinal sonoro e não fez esboço de desviar, acreditando que ele talvez não as tenha visto por causa do sol. Elas afirmaram ter chamado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e prestado assistência no local.
Investigação em andamento
A delegada confirmou que a investigação segue como homicídio culposo. "A investigação continua como sendo de homicídio culposo e elas (seguem) na condição de investigadas como autoras dessa morte", concluiu. Todas as oitivas ocorrerão na semana seguinte, incluindo duas testemunhas oculares. O motorista já foi ouvido e não deve prestar novo depoimento, a menos que novos fatos surjam. A polícia aguarda o laudo pericial do Instituto-Geral de Perícia (IGP).
Relembre o caso
O acidente ocorreu no início do mês, na Avenida Brasil Oeste, bairro Boqueirão, em Passo Fundo. Conforme a investigação, Cleocir trafegava pela ciclovia quando colidiu com as duas mulheres, que caminhavam e tiravam fotos. Com o impacto, ele se desequilibrou, caiu na pista e foi atropelado por um carro. As mulheres, que moram em Carazinho, cidade vizinha, tiravam fotos para publicar nas redes sociais, segundo a Polícia Civil.
Problemas recorrentes na ciclovia
Familiares de Cleocir relataram que ele frequentemente enfrentava situações de risco na ciclovia. "Ele sempre comentou que tinha problemas com pedestres na ciclovia. Um dia quase caiu, no outro quase atropelou. Era uma constante", afirmou o sobrinho Rafael Iarchescki.
O município possui mais de 37 km de malha cicloviária, distribuídos entre avenidas e parques. Em trechos mais recentes, há separação entre ciclovia e caminhódromo; em trechos antigos, a divisão nem sempre existe, aumentando o risco de acidentes. A sinalização tenta orientar os usuários com placas indicando espaços exclusivos ou compartilhados. Segundo a prefeitura, quando não há caminhódromo, o pedestre deve utilizar a calçada. "Hoje temos ciclofaixas que são exclusivas para ciclistas, não pode ter pedestre ali. Nesses casos onde não tem caminhódromo, o pedestre precisa usar o passeio público", explicou o secretário municipal de Segurança Pública, Tadeu Trindade.
Convivência e conscientização
Cleocir mantinha uma rotina ativa e usava a bicicleta frequentemente para cuidar da saúde. Familiares e usuários da ciclovia pedem mais conscientização no uso dos espaços para evitar novas tragédias.



