Presidente da comissão de arbitragem do Ceará é acusado de assédio e estupro por quatro árbitras
Chefe da arbitragem no Ceará é acusado de assédio sexual

O presidente da comissão de arbitragem do Ceará, Paulo Sílvio Santos, de 55 anos, é acusado de assediar e estuprar árbitras que atuam no futebol do estado. As denúncias foram feitas por quatro mulheres que fazem ou recentemente fizeram parte do quadro cearense de arbitragem. A Federação Cearense de Futebol (FCF) informou que, na terça-feira (14), foi oficialmente instaurado o Procedimento Interno de Apuração, com a constituição de uma comissão independente da Comissão de Arbitragem e do investigado, registrando-se a sindicância nº 01/2026.

Medidas da Federação Cearense

Em nota, a FCF comunicou que a presidência dos trabalhos será exercida por uma mulher, a quem caberá conduzir a apuração e coordenar as diligências necessárias. A entidade também afirmou que está prestando todo apoio psicológico às árbitras, mantendo constante conversa e acompanhamento. Entre as providências determinadas estão: preservação imediata de documentos físicos e eletrônicos potencialmente relacionados aos fatos; proibição de qualquer contato do investigado com as denunciantes e testemunhas; vedação de qualquer forma de retaliação, intimidação, constrangimento ou prejuízo profissional; adoção de critérios objetivos e de controle institucional sobre decisões funcionais que envolvam as denunciantes; possibilidade de apresentação de novos documentos, testemunhas, fatos e pedidos de proteção; e prevenção da repetição desnecessária de depoimentos, com o objetivo de evitar constrangimentos.

Investigação policial

As quatro árbitras estiveram na Delegacia da Mulher na terça-feira e prestaram depoimento. A polícia investiga o caso, que inclui relatos de convites inoportunos para sair, mensagens incompatíveis com o ambiente de trabalho, sugestões de favorecimento na escala, toques físicos embaraçosos e estupro. Paulo Sílvio Santos assumiu interinamente a presidência da comissão em 2016, com a morte do presidente anterior, e tornou-se presidente efetivo em 2017. Hoje afastado, ele nega as acusações.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Ampliação das investigações

A Federação informou que não vai se limitar à investigação de Paulo Sílvio, podendo novos personagens surgirem no decorrer da apuração. Nesse contexto, a Federação poderá submeter o caso à Comissão de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), bem como adotar medidas de natureza administrativa e disciplinar, sem prejuízo da comunicação ao Ministério Público e da adoção de outras providências legais cabíveis. A FCF também disponibilizou o e-mail sindicancia@futebolcearense.com.br para o recebimento reservado de outras denúncias, relatos, documentos, informações ou comunicações sobre eventuais retaliações relacionadas ao caso.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Afastamento e defesa

Paulo Sílvio foi afastado do cargo na terça-feira, mesmo dia em que as árbitras abriram boletim de ocorrência na delegacia. De acordo com a FCF, o pedido de afastamento ocorreu em período anterior às denúncias e é válido por 30 dias. A defesa de Paulo Sílvio Santos afirmou que tomou conhecimento das notícias envolvendo as denúncias não por comunicação oficial das autoridades competentes, mas por meio de publicações em redes sociais e de informações disseminadas por terceiros, circunstância que causa estranheza, sobretudo porque se trata de fatos submetidos à apuração policial e que deveriam ser tratados com a necessária reserva, em respeito à investigação, às pessoas envolvidas e às garantias legais de todos os interessados. O Sr. Paulo Sílvio nega, de forma veemente, as alegações que lhe são atribuídas e afirma que jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito. As declarações divulgadas até o momento representam versões unilaterais apresentadas perante a autoridade policial, as quais serão devidamente analisadas no curso da investigação. A defesa confia que a apuração será conduzida com imparcialidade, observando-se o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e, sobretudo, a presunção de inocência, garantia constitucional que impede qualquer juízo antecipado de responsabilidade. Por orientação jurídica, o investigado não comentará individualmente os relatos ou pessoas mencionadas, justamente para preservar a lisura da investigação e evitar qualquer interferência na produção das provas. O Sr. Paulo Sílvio permanece à inteira disposição da Polícia Civil e das demais autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários, certo de que os fatos serão devidamente esclarecidos por meio da prova produzida no procedimento investigatório. A defesa manifesta, ainda, preocupação com a divulgação pública de alegações antes mesmo de qualquer oitiva do investigado ou da conclusão das investigações, situação que pode comprometer a honra, a imagem e a própria efetividade do devido processo legal. Espera-se que todas as instituições e os veículos de comunicação conduzam o tratamento do caso com responsabilidade, equilíbrio e respeito às garantias constitucionais de todos os envolvidos.