Cachorro fica preso em grade de janela após queima de fogos em São Carlos
Cachorro fica preso em grade após queima de fogos

Um cachorro da raça poodle, chamado Bibal, de 3 anos, ficou preso na grade da janela de um banheiro após entrar em pânico com o barulho de fogos de artifício durante um jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo. O caso ocorreu na área rural de São Carlos (SP), na região de Água Vermelha.

Resgate do animal

No vídeo registrado pela família, o cão aparece visivelmente apavorado e dando sinais de cansaço. O tutor precisou quebrar um dos ferros da janela para salvá-lo. A tutora, Shirley Ferreira da Silva, de 48 anos, contou que havia colocado os cães em um cômodo da residência, com cama, água e ração, para protegê-los do barulho. No entanto, Bibal ficou extremamente agitado com as explosões e começou a se debater. Em meio ao desespero, pulou sobre móveis e tentou entrar na casa pela janela do banheiro, ficando preso pela região do peito entre as grades.

"Ele ficou enroscado na janela, com o peito preso. Não saía nem para fora, nem para dentro. Meu marido precisou quebrar o ferro da janela para conseguir salvar ele", disse Shirley.

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Reações recorrentes

Após o resgate, Bibal continuou muito assustado e foi acalmado pelos tutores até que o barulho dos fogos parasse. Shirley informou que essa não foi a primeira reação extrema do animal com rojão. Em outra ocasião, o cachorro chegou a quebrar o vidro da mesma janela ao tentar fugir do som. Devido ao medo intenso, a família não deixa mais Bibal sozinho em datas como festas de fim de ano e jogos de futebol. Além de Bibal, a tutora cuida de outros cinco cães resgatados que também sofrem com os fogos. "Faço um apelo para não soltar fogos, para não judiar", disse.

Impacto dos fogos nos animais

Os fogos de artifício podem provocar reações intensas em cães e gatos, assim como em idosos, crianças e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Além disso, podem resultar em graves acidentes com pessoas ao manusearem os fogos. Segundo o médico-veterinário Leandro Casale, os animais possuem uma audição pelo menos quatro vezes mais sensível que a dos seres humanos e, além do desconforto causado pelo barulho, não conseguem compreender o motivo dos estampidos. Ele explicou que os principais sinais de sofrimento são ansiedade extrema, inquietação, respiração acelerada, taquicardia, salivação excessiva, tremores e vocalização. Muitos animais também tentam fugir ou procuram esconderijos para se proteger.

De acordo com o veterinário, os maiores riscos estão justamente nas tentativas de fuga. Em momentos de desespero, cães podem arrombar portas, quebrar vidros, pular muros e se ferir gravemente. Casale afirma que é comum atender animais machucados após tentarem escapar do barulho dos fogos. No caso dos cães de pequeno porte, o tutor pode oferecer colo, carinho e tentar tranquilizá-los. "Orientamos o tutor a colocar o cachorro de pequeno porte no colo, tentar tranquilizar e acalmar. Ao mesmo tempo, coloque um som alto da televisão, por exemplo, aumenta o som, que diminui a chance dele escutar os fogos lá fora", disse.

Orientações e legislação

Para reduzir o estresse, a orientação é manter os animais em locais seguros, fechados e onde não consigam se machucar. Nos casos mais graves, quando o animal apresenta medo intenso, se machuca tentando fugir ou sofre algum acidente, a recomendação é procurar atendimento veterinário imediatamente. O veterinário informou que em situações extremas, o estresse provocado pelo barulho também pode desencadear convulsões.

Em São Carlos, duas leis municipais proíbem o manuseio e a queima de fogos de artifício. A legislação nº 18.059/2016 restringe o uso de fogos em áreas específicas ligadas à proteção animal. Já a lei de 2026 ampliou a proibição e passou a vetar em toda a cidade os fogos com estampido, permitindo apenas os chamados fogos silenciosos. Além da Lei Municipal, o Estado de São Paulo tem a Lei Estadual nº 17.389/2021 que também proíbe a comercialização e soltura de fogos com estampido em todo o estado, com multas de até R$ 11,6 mil. Em casos de reincidência, o valor da multa é dobrado. As denúncias podem ser feitas para o e-mail: ouvidoria@saocarlos.sp.gov.br ou telefone (16) 3362-1080, Defesa Civil (199), Corpo de Bombeiros (193) ou Guarda Municipal (153).

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