Avenida Brasil: perseguição policial termina com cinco mortos e um ferido grave
Avenida Brasil: perseguição deixa cinco mortos

Uma perseguição policial na noite de terça-feira transformou a Avenida Brasil, a mais importante via do Rio de Janeiro, em um cenário de guerra. O saldo foi de cinco mortos, entre eles quatro suspeitos e um cabo da Polícia Militar. Um outro policial foi baleado e está internado em estado grave. Um motorista que passava pelo local no momento do confronto também foi atingido.

Perseguição termina em tragédia na Avenida Brasil

Os criminosos envolvidos na perseguição saíram da Vila Kennedy com o objetivo de atacar uma área dominada por uma facção rival, de acordo com a Polícia Militar. O bando estava em dois carros e carregava seis fuzis, três pistolas, granadas e roupas camufladas, armamento que foi apreendido. A perseguição ocorreu em plena Avenida Brasil, via que corta 27 bairros da Zona Portuária à Zona Oeste e recebe milhares de veículos diariamente.

Violência recorrente na via expressa

A Avenida Brasil tornou-se um corredor estratégico para o deslocamento de criminosos entre áreas dominadas por facções rivais, expondo usuários a confrontos armados. Levantamento do Instituto Fogo Cruzado aponta que, entre 1º de janeiro e 29 de julho deste ano, foram registrados 20 tiroteios no entorno da via, nove deles durante operações policiais. Ao todo, 22 pessoas foram baleadas, das quais 12 morreram. Entre as vítimas, há dois agentes de segurança mortos e outros dois feridos. Embora o total de ocorrências em 2026 seja menor que no mesmo período de 2025 — quando houve 29 tiroteios —, a Brasil segue como a via expressa com maior concentração de episódios de violência na cidade.

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Impacto na rotina da cidade

Os confrontos têm impacto direto na rotina dos cariocas. Levantamento do jornal Extra com base nos alertas divulgados pelo Centro de Operações Rio (COR) mostra que a Avenida Brasil foi interditada pelo menos 17 vezes este ano em razão de tiroteios ou outras ocorrências relacionadas à violência. Os bloqueios ocorreram em diferentes trechos, como Maré, Bonsucesso, Guadalupe, Penha, Benfica, Manguinhos, Costa Barros, Brás de Pina e no acesso à Vila Kennedy, provocando reflexos no trânsito por diversas regiões.

Moradores temem nova tragédia

Na manhã desta quarta-feira, sentada num ponto de ônibus na altura de Ramos, a autônoma Joselina Santos, de 60 anos, contou que teme ser a próxima vítima. "É uma insegurança geral, mas um dos meus maiores medos é estar sentada aqui e, de repente, me ver em meio ao fogo cruzado entre bandidos ou entre criminosos e a polícia. Aqui é cercado de comunidades; então, a qualquer momento, pode vir uma pessoa atirando de dentro de carro, como aconteceu na noite passada, e atingir um de nós", relatou.

Investigação aponta uso estratégico da via

O delegado responsável pela investigação relatou que criminosos usam batedores de moto para evitar barreiras policiais. "Temos um inquérito sobre um traficante que saiu de Campo Grande e chegou à Penha com dois corpos no porta-malas do carro. Ele não foi parado nenhuma vez, nem em barreiras nem em fiscalizações. Isso acontece com frequência porque eles costumam usar batedores, que seguem de moto à frente informando onde há blitz ou policiais, além de circularem com veículos equipados com película muito escura", afirmou.

A porta-voz da PM, tenente-coronel Cláudia Moraes, explicou que os policiais que participaram do cerco integram a Operação Interceptação, que mantém monitoramento permanente da região devido às disputas territoriais entre facções. "O Batalhão de Policiamento em Vias Expressas realiza operações durante a noite para garantir a segurança dessas vias. Mas nem sempre temos informações precisas sobre essas movimentações. Neste caso, o setor de inteligência identificou uma situação de risco iminente de ataque", disse ela.

Em nota, a PM lamentou a morte do cabo Fernando Plácido Roberto Rocha, de 38 anos. Segundo a corporação, o agente ingressou na polícia em 2019 e era lotado no BPVE. Até a publicação desta reportagem, não haviam sido divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento.

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