Lideranças Ashaninka do Acre estiveram em Brasília para pedir socorro ao governo federal diante do avanço do crime organizado em seu território, localizado na fronteira entre Brasil e Peru. O narcotráfico, combinado com crimes ambientais como desmatamento e extração ilegal de madeira, tem ameaçado a segurança e a sustentabilidade da região.
Invasão armada e emergência
Em julho, homens armados invadiram a Terra Indígena Ashaninka, gerando pânico entre as comunidades. O incidente evidenciou a fragilidade da fiscalização e a necessidade de ações integradas de segurança. Segundo o cacique Benki Piyãko, "a situação é insustentável; precisamos de proteção imediata do Estado brasileiro".
Durante a visita a Brasília, a delegação Ashaninka se reuniu com representantes do Ministério da Justiça, da Funai e da Polícia Federal. Eles cobraram medidas concretas, como o aumento do efetivo de fiscalização na fronteira e a implementação de programas de desenvolvimento sustentável para as comunidades.
Narcotráfico e crimes ambientais
O avanço do narcotráfico na região está diretamente ligado ao aumento de estradas ilegais abertas por madeireiros e garimpeiros. Essas vias facilitam o transporte de drogas e a exploração ilegal de recursos naturais. Um levantamento recente apontou que mais de 200 quilômetros de estradas clandestinas foram abertos nos últimos dois anos dentro do território Ashaninka.
"O crime organizado está destruindo nossa floresta e nossa cultura", afirmou a liderança Txai Suruí, que também participou da delegação. "Sem ações efetivas, perderemos não apenas nosso território, mas também nossa identidade."
Cooperação internacional
As lideranças também pediram maior cooperação entre Brasil e Peru para combater o crime transnacional. Atualmente, a fronteira é porosa e carece de patrulhamento conjunto. Dados da Polícia Federal indicam que 80% da cocaína que entra no Brasil vinda do Peru passa por rotas que cruzam terras indígenas.
O governo federal se comprometeu a estudar a criação de uma força-tarefa específica para a região, com participação das Forças Armadas e da Polícia Federal. No entanto, as lideranças Ashaninka alertam que promessas anteriores não foram cumpridas. "Precisamos de ações, não de discursos", disse Benki Piyãko.
Impacto na sustentabilidade
Além da segurança, o avanço do crime organizado compromete a sustentabilidade do território. A extração ilegal de madeira e o garimpo poluem rios e degradam áreas de preservação. Os Ashaninka, que há décadas promovem o manejo sustentável da floresta, veem seu trabalho ameaçado.
"Nosso modo de vida está em risco", afirmou a liderança feminina Kaya Ashaninka. "Se o governo não agir, a floresta e seus povos desaparecerão."



