Apreensão de 38 ônibus da Ricco agrava caos no transporte em Rio Branco
Apreensão de 38 ônibus agrava caos no transporte em Rio Branco

A apreensão de 38 ônibus da Empresa Ricco Transportes e Turismo agravou os transtornos enfrentados por quem depende do transporte coletivo em Rio Branco nesta terça-feira (30). Com a frota reduzida, passageiros relataram demora nas paradas, ônibus lotados e dificuldades para chegar ao trabalho.

Passageiros relatam espera de horas

A empregada doméstica Jardia Matias, moradora do Conjunto Habitacional Cidade do Povo, no Segundo Distrito da capital, saiu de casa por volta das 6h, mas, às 9h, ainda não havia conseguido chegar ao destino final. Segundo ela, o marido também enfrentou demora para embarcar. "Já faz mais de duas horas que tento chegar ao trabalho. Nem sei que horas vou chegar. Quase todo dia falo para a minha patroa, né? Digo: 'Hoje demorou, hoje não veio, hoje quebrou'. Quem sabe agora ela acredite, né? É quase todo dia assim", relatou.

A autônoma Sebastiana Teixeira, moradora da Vila Acre, também no Segundo Distrito, reclamou da espera e da lotação dos coletivos. "Quando o ônibus vem, vem muito lotado. A gente perde muito tempo esperando. É complicado para quem trabalha e também para quem vive de vender na rua", disse. Já a moradora do bairro Jacarandá, Keila dos Santos contou que precisou sair do bairro e ir até a BR-364 para conseguir embarcar com o filho. "O ônibus não entrou no bairro. Eu tive que vir até a BR para conseguir pegar um ônibus", afirmou.

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Motivo da apreensão: dívida de quase R$ 3 milhões

Segundo o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), a decisão da apreensão atende a uma carta precatória expedida pelo Distrito Federal, que determina a reintegração de posse de 50 veículos em razão de uma disputa envolvendo a aquisição dos ônibus e uma dívida de quase R$ 3 milhões. Dos 50 veículos previstos no mandado, 38 foram apreendidos. A retirada dos veículos ocorreu durante a madrugada desta terça, após o cumprimento de uma decisão judicial.

A sócia-proprietária da Ricco Transportes, Bruna Fernandes Dias, afirmou que a empresa vai recorrer da decisão judicial. Segundo ela, a apreensão está relacionada a uma divergência sobre a aquisição dos veículos e um pedido de liminar será apresentado para tentar reaver os ônibus. "Existe uma divergência de valores. Não se trata de locação, e sim de aquisição. Já estamos encaminhando o pedido de liminar para reaver esses veículos", afirmou.

Prefeitura busca solução e nova empresa deve assumir

O prefeito Alysson Bestene (PP) afirmou que a prefeitura acompanha a situação e busca evitar novos prejuízos à população durante a transição para a empresa que assumirá o transporte coletivo da capital. "Quem não pode ser penalizado é o usuário do transporte coletivo. Estamos buscando pacificar essa situação para que a população não sofra ainda mais durante esse período de transição", afirmou. Ainda segundo o prefeito, a nova empresa deve iniciar a operação nos próximos dias com uma frota de 120 ônibus, conforme previsto no processo emergencial realizado pelo município.

A Ricco informou que manteve apenas 48 ônibus em circulação e reorganizou a operação para que cada linha passasse a contar com, pelo menos, um veículo. A empresa será substituída pela JTP Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos LTDA, que deve operar o transporte coletivo da capital por meio de um contrato emergencial de até um ano. A Ricco vai deixar de operar o transporte coletivo da capital no próximo sábado (4) após informar ao município que não pretende participar do novo chamamento emergencial para continuidade do serviço.

Histórico de instabilidade

Esta não é a primeira vez que ônibus da Ricco são alvo de medidas judiciais. Em julho de 2024, a Justiça de São Paulo determinou a busca e apreensão de 16 veículos da empresa após o atraso no pagamento das parcelas do financiamento dos ônibus. Na ocasião, a RBTrans informou que os coletivos haviam sido substituídos por veículos reservas e que a operação do transporte coletivo não seria interrompida.

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A saída da operadora ocorre ainda em meio a um impasse envolvendo valores que a empresa afirma ter a receber da prefeitura. A empresária voltou a afirmar que a empresa enfrenta dificuldades financeiras em razão de um desequilíbrio nos repasses ao sistema de transporte coletivo e disse que a Ricco busca na Justiça o pagamento de cerca de R$ 30 milhões que, segundo ela, deixaram de ser repassados pelo município. "Se nós estamos operando hoje é para pagar os nossos funcionários e atender a população. Caso contrário, a empresa já teria parado", declarou Bruna. A Prefeitura de Rio Branco e a RBTrans negam a existência da dívida. Segundo o superintendente municipal de Transportes e Trânsito, coronel Marcos Roberto Coutinho, os repasses previstos em contrato são realizados regularmente e o valor reivindicado pela empresa está sob análise da Procuradoria-Geral do Município (PGM).

O sistema de transporte coletivo da capital enfrenta instabilidade há cerca de seis anos e funciona por meio de contratos emergenciais. A Ricco chegou em fevereiro de 2022 para assumir as linhas de ônibus abandonadas pela Empresa Auto Aviação Floresta. Após três meses, assumiu as 12 linhas que eram da São Judas Tadeu e Via Verde.