Anac estuda rotas IFR no Rio após colisão fatal de helicópteros
Anac estuda rotas IFR no Rio após colisão de helicópteros

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estuda implementar rotas de voo por instrumentos (IFR) na cidade do Rio de Janeiro após a colisão fatal entre dois helicópteros no bairro do Recreio dos Bandeirantes, ocorrida na última semana. O acidente resultou na morte de seis pessoas e reacendeu o debate sobre a segurança do tráfego aéreo na capital fluminense.

Tráfego aéreo atual é visual e baseado em corredores pré-definidos

Atualmente, o tráfego de helicópteros no Rio opera em corredores aéreos pré-definidos, mas a responsabilidade de manter a distância segura entre as aeronaves é exclusivamente dos pilotos, que realizam a separação de forma visual. Esse modelo, conhecido como VFR (Visual Flight Rules), depende da capacidade dos pilotos de ver e evitar outras aeronaves, o que se torna mais desafiador com o aumento da frota e em condições meteorológicas adversas.

Frota crescente e aumento de incidentes

O Rio de Janeiro possui uma das maiores frotas de helicópteros do Brasil, com cerca de 400 aeronaves registradas. Em 2025, foram registrados 142 incidentes envolvendo helicópteros na cidade, segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O número representa um aumento de 18% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 120 incidentes.

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Estudo da Anac para rotas IFR

Em resposta ao acidente, a Anac iniciou estudos para a criação de rotas IFR no espaço aéreo do Rio. As regras de voo por instrumentos permitem que aeronaves naveguem com base em instrumentos, independentemente das condições de visibilidade, e contam com controle de tráfego aéreo ativo, que gerencia a separação entre as aeronaves. Segundo a agência, a implementação de rotas IFR poderia reduzir significativamente o risco de colisões.

"A colisão no Recreio evidencia a necessidade de modernizar o sistema de tráfego aéreo na região. Estamos avaliando a viabilidade técnica e operacional de implementar rotas IFR, que trariam mais segurança para pilotos e passageiros", afirmou o diretor-presidente da Anac, em nota oficial.

Próximos passos e desafios

A Anac ainda não definiu um cronograma para a implantação das novas rotas. Entre os desafios estão a necessidade de investimentos em infraestrutura de navegação aérea, a capacitação de pilotos e controladores e a coordenação com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). A agência também pretende realizar audiências públicas para discutir o projeto com a sociedade e os operadores de helicópteros.

Enquanto isso, a recomendação é que os pilotos redobrem a atenção durante os voos visuais, especialmente em áreas de grande concentração de aeronaves, como a região do Recreio e a Zona Sul do Rio.

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